Ramagem prestará depoimento na sede da PF em 27 de fevereiro

Deputado federal chefiou a Abin de 2019 a 2021
Por: Brado Jornal 02.fev.2024 às 16h36 - Atualizado: 02.fev.2024 às 15h36
Ramagem prestará depoimento na sede da PF em 27 de fevereiro
Valter Campanato/Agência Brasil

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) vai prestar depoimento em 27 de fevereiro na sede da Polícia Federal, em Brasília (DF). Ele é um dos alvos de investigação sobre uma suposta espionagem ilegal feita pela Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Ramagem chefiou a Abin de 2019 a 2021. O órgão de inteligência teria utilizado o software FirtsMille para monitorar os celulares de jornalistas, autoridades e funcionários durante meses. As informações seriam encaminhadas a pessoas ligadas ao então presidente, como seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Segundo as investigações da PF, o monitoramento ilícito servia para fornecer informações que beneficiassem os filhos do ex-chefe do Executivo. Relatórios teriam sido enviados para as defesas de Flávio e Jair Renan Bolsonaro, ambos com inquéritos na Justiça.

Ramagem foi alvo de busca e apreensão da PF em 25 de janeiro. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Na decisão, consta relatório da PF que indica uma instrumentalização da Abin sob o comando de Ramagem. O deputado negou irregularidades e disse que um “núcleo” da PF tenta incriminá-lo “sem provas”.

Moraes também autorizou na segunda-feira (29) operações de busca e apreensão contra Carlos Bolsonaro. Conforme a PF, ele participou do “núcleo político” da organização criminosa supostamente formada por funcionários da Abin que monitorou autoridades sem autorização judicial.

O relatório da PF, divulgado na segunda-feira (29), indica que a corporação identificou uma mensagem em que uma assessora do político pede “uma ajuda” da Agência Brasileira de Inteligência com inquéritos contra Bolsonaro e seus 3 filhos. A conversa é entre Ramagem e a assessora Luciana Paula Garcia.

A decisão, porém, contém algumas ambiguidades. A mensagem, por exemplo, é reproduzida logo depois de o ministro citar várias supostas irregularidades em outubro de 2020. A data da conversa entre Ramagem e Luciana é uma terça-feira, 11 de outubro. No calendário durante o mandato de Bolsonaro só há um 11 de outubro numa terça-feira em 2022 (e não em 2020). Ou seja, Ramagem já seria deputado federal eleito pelo Rio e não chefiava mais a Abin. 



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