Moraes suspende resolução que impedia procedimento usado no aborto legal

Norma atingia até abortos permitidos por lei
Por: Brado Jornal 17.mai.2024 às 18h20
Moraes suspende resolução que impedia procedimento usado no aborto legal
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta sexta-feira, 17, a suspensão da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibia médicos de realizarem o procedimento de assistolia fetal em gestações com mais de 22 semanas resultantes de estupro. A técnica, feita em casos de aborto legal, consiste na injeção de uma substância que provoca a morte do feto para que depois ele seja retirado do útero da mulher.

Na decisão liminar, o ministro determina que os efeitos da resolução do conselho estão interrompidos até o julgamento final da controvérsia e comunica o CFM para ciência e cumprimento imediato desta decisão, solicitando-lhe informações, no prazo de dez dias. A liminar foi deferida a partir de pedido feito pelo PSOL por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 1141). O partido pedia que o STF considerasse a norma do CFM inconstitucional.

No documento, Moraes considera que a normativa ultrapassa os limites do poder regulamentar do órgão: “[...] impondo tanto ao profissional de medicina, quanto à gestante vítima de um estupro, uma restrição de direitos não prevista em lei, capaz de criar embaraços concretos e significativamente preocupantes para a saúde das mulheres”, escreve.

O Conselho Federal de Medicina informou que, até o momento, ainda não definiu se entrará com recurso ou não.

Completando, o ministro indica que verifica indícios de abuso do poder regulamentar por parte do Conselho Federal de Medicina ao expedir a Resolução 2.378/2024.

Além disso, no texto é informado que a proibição imposta pelo CFM vai de encontro às discussões científicas atuais. “Ao limitar a realização de procedimento médico reconhecido e recomendado pela Organização Mundial de Saúde [...] o Conselho Federal de Medicina aparentemente se distancia de standards científicos compartilhados pela comunidade internacional [...]”, completa.


Relembre o caso

Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu ao menos dois pedidos liminares para a derrubada da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). No dia 5 de abril, o Centro de Estudos em Saúde (Cebes), a Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Associação Brasileira da Rede Unida e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entraram com um pedido liminar (usado em casos de urgência) no STF pedindo a suspensão da norma.

Conforme mostrou o Estadão, no processo, as entidades falam que houve violação do direito ao acesso ao melhor cuidado possível de saúde e o de “prevenir a violência contra meninas e mulheres”, entre outros pontos. O pedido foi incluído na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 989), já existente desde 2022, que tratava de outros pedidos envolvendo a efetivação do direito ao aborto legal.

A resolução do Conselho já havia sido suspensa outra vez, pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul, mas a liminar foi derrubada.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Deputada Roberta Roma permanece internada após infarto durante agenda de campanha
Parlamentar do PL passou por cateterismo em Salvador, está estável na UTI e tem a campanha mantida pelo partido enquanto segue orientação médica
Renan Santos desembarca em Salvador, é recebido por apoiadores e vai a ato na UFBA
O compromisso principal está marcado para as 16h, em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela
Carregando..