O produtor rural Wagner Alves (União Brasil) passou a concentrar o voto de opinião da direita em Vitória da Conquista e em municípios do interior da Bahia, ao mesmo tempo em que inquieta a esquerda local. Estreante na disputa estadual, o candidato aglutina lideranças regionais e aparece em pesquisas internas disputando com Zé Raimundo (PT) as primeiras posições na cidade — um cenário que, se confirmado, ameaça o domínio histórico de PT e PCdoB na representação conquistense na Assembleia.
Há décadas, quando Conquista olha para a ALBA, encontra praticamente o mesmo campo. Zé Raimundo e Fabrício Falcão (PCdoB) construíram mandatos consecutivos e presença sólida no município e na região. Em 2026, os dois chegam outra vez com força para se reeleger. A novidade está do outro lado: a possibilidade, pouco clara até pouco tempo, de a terceira maior cidade da Bahia eleger um nome ligado à direita.
Uma votação alta em Conquista, porém, nunca bastou. Para chegar a Salvador é preciso somar votos além do município. Foi nesse terreno que Wagner avançou, reunindo ex-prefeitos, vereadores e lideranças do Sudoeste e de outras regiões. Em Itapetinga, recebeu o apoio de Rodrigo Hagge; em Brumado, aproximou-se do grupo de Eduardo Vasconcelos; em Conquista, tem o respaldo da prefeita Sheila Lemos, reeleita em 2024 com 116 mil votos. A filiação ao União Brasil foi abonada por ACM Neto.
O paradoxo da cidade explica o peso da candidatura. Conquista já elegeu uma prefeita de direita e, em 2022, deu votação expressiva a ACM Neto, mas raramente transformou esse capital em cadeira própria na Assembleia. Wagner tenta quebrar esse descompasso. Se consolidar a votação urbana e o encadeamento regional, a cidade pode chegar a 2027 com uma bancada mais equilibrada.
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