PL do Aborto: relator vai mudar o texto após ouvir Michelle Bolsonaro

Segundo Sóstenes Cavalcante, relator do projeto de lei, proposta será alterada para que a mulher não seja criminalizada e presa
Por: Brado Jornal 27.jun.2024 às 09h56
PL do Aborto: relator vai mudar o texto após ouvir Michelle Bolsonaro
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do projeto de lei que equipara o aborto ao homicídio quando feito depois de 22 semanas de gestação, deve fazer alterações na proposta. Agora, o parlamentar defende que a mulher estuprada que decidir pela interrupção da gravidez nesta fase não seja mais presa.

Sóstenes teria mudado de opinião após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhar um vídeo, no qual defende que o aborto deveria ser punido sem que a mulher fosse criminalizada.

“Eu vi o vídeo da primeira-dama e os argumentos que ela apresenta são importantes. As alterações que vou propor vão evitar desgastes desnecessários e assim podemos continuar valorizando a vida”, afirmou o parlamentar à jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.


Punição por estupro

O projeto apresentado pelo causou grande comoção em todo o país nas últimas semanas. Caso seja aprovada, a proposta imporia às mulheres estupradas que interrompessem a gravidez – após as 22 semanas – uma pena, a de homicídio, que pode chegar a 20 anos de prisão, que é inclusive maior que a do próprio estuprador.

O estupro é punido com até 10 anos de prisão.

Os protestos contra ele se intensificaram, principalmente, após a divulgação de dados e pesquisas apontarem para a maioria das vítimas de estupro que engravidam no Brasil como meninas de até 14 anos — violadas em grande parte dentro de suas próprias casas, por seus próprios familiares.

No entanto, segundo Sóstenes, os médicos que participarem do procedimento — e que Michelle chama de “aborteiros” em seu vídeo — seguirão sendo punidos como se fossem homicidas, de acordo com a proposta.

De acordo com o relator, “a mulher não vai ser obrigada a levar a gestação adiante se não quiser”.


Explicação do relator

O parlamentar afirmou ainda que, depois de 22 semanas a mulher não poderá mais abortar, mas sim “vai dar à luz, e o bebê vai ser encaminhado para a UTI neonatal”. O médico seria obrigado a realizar um parto para que “a criança nasça com vida”. E, “se não quiser, a mãe a entrega para a adoção”, afirma o parlamentar.

“Ela vai dar à luz e a criança vai para a UTI neonatal. Não precisa matar o bebê”, disse o deputado a jornalista. Ele afirma que as chances de sobrevivência nestes casos seriam razoáveis. Estudos já mostraram que nascidos com 22 semanas têm de 2% a 15% de chance de não morrer.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Deputada Roberta Roma permanece internada após infarto durante agenda de campanha
Parlamentar do PL passou por cateterismo em Salvador, está estável na UTI e tem a campanha mantida pelo partido enquanto segue orientação médica
Carregando..