Milei reconhece revés em pleito provincial de Buenos Aires e promete intensificar mudanças econômicas

A votação provincial serve como indicador chave para o cenário das disputas legislativas federais em outubro
Por: Brado Jornal 08.set.2025 às 07h50
Milei reconhece revés em pleito provincial de Buenos Aires e promete intensificar mudanças econômicas
Foto: AFP
O presidente Javier Milei assumiu publicamente o fracasso de sua coalizão, La Libertad Avanza, na disputa legislativa da província de Buenos Aires, realizada no domingo (7). Com mais de 90% dos votos contados, a coligação peronista Fuerza Patria, liderada pelo governador Axel Kicillof, alcançou 47% dos sufrágios, superando os 33,8% obtidos pelo partido oficialista. Essa região, que engloba cerca de 40% do eleitorado argentino e contribui com mais de 30% do PIB nacional, renovou 46 vagas na Câmara de Deputados e 23 no Senado locais, em um contexto de alta participação, com 63% dos 14 milhões de eleitores aptos comparecendo às urnas.

Apesar do resultado adverso, Milei enfatizou a continuidade de sua agenda liberal. Em declaração na sede de sua legenda em La Plata, capital provincial, ele afirmou: "O que precisa ficar claro é que, sem nenhuma dúvida, no plano político tivemos uma derrota. Se quisermos seguir em frente, é preciso aceitar os resultados. Sofremos um revés e é preciso assumi-lo". O mandatário acrescentou: "Isso nos levará a uma autocrítica profunda, na qual corrigiremos os erros que cometemos. Não há opção de repetir os mesmos erros. Nós os corrigiremos". Além disso, ele reforçou o compromisso com medidas fiscais: "Continuaremos defendendo ferozmente o equilíbrio fiscal. Continuaremos mantendo a forte restrição monetária".

O pleito ocorreu em meio a desafios para o governo, incluindo um escândalo de áudios vazados que sugerem irregularidades em compras de medicamentos para pessoas com deficiência, envolvendo a irmã de Milei, Karina, secretária-geral da Presidência. As gravações, divulgadas por um ex-funcionário da Agência Nacional de Deficiência, apontam para supostos pagamentos ilícitos de até 3% dos valores, o que abalou a imagem do presidente. Paralelamente, a economia argentina enfrenta estagnação após uma recessão inicial, com inflação mensal em 2% mas acumulada anual de 36%, e críticas a vetos presidenciais que bloquearam reajustes em aposentadorias e benefícios sociais. O Índice de Confiança no Governo, da Universidade Torcuato di Tella, registrou queda de 13,6% em agosto.

Do lado opositor, Kicillof celebrou o triunfo em discurso de vitória: "Milei, o povo te deu uma ordem. Você não pode governar para os de fora, para as corporações, para os que têm mais. Governe para o povo". Ele também criticou cortes orçamentários: "As pesquisas, Milei, gritaram que não se pode desfinanciar a saúde, a educação, as universidades, a ciência ou a cultura na Argentina". O peronismo venceu em seis das oito seções eleitorais da província, incluindo zonas historicamente contestadas, sinalizando fortalecimento para as eleições nacionais de 26 de outubro, quando se renovarão 127 deputados e 24 senadores federais.

Analistas veem o resultado como um alerta para Milei, que detém minoria no Congresso e enfrenta dificuldades para aprovar reformas de austeridade. O governo interveio recentemente no câmbio para conter a desvalorização do peso, mas a aprovação presidencial caiu 16,5% em um ano, segundo pesquisas. A província, reduto tradicional do peronismo, ampliou a distância esperada pelas sondagens, que previam no máximo cinco pontos de diferença.


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