A Prefeitura de Fortaleza, sob a gestão do prefeito Evandro Leitão (PT), homologou no final de dezembro de 2025 um contrato de concessão no valor total de R$ 4,09 bilhões com a empresa Fortaleza Luz SPE S.A. para a gestão dos serviços de iluminação pública e da rede de semáforos da cidade. O acordo, válido por 15 anos e prorrogável pelo mesmo período, prevê um custo anual superior a R$ 273 milhões aos cofres públicos, totalizando pagamentos mensais que ultrapassam R$ 22 milhões.
A empresa Fortaleza Luz foi criada apenas dois dias antes da assinatura do contrato, o que levantou suspeitas de irregularidades e falta de transparência no processo licitatório. De acordo com registros públicos, a companhia foi registrada em 21 de dezembro de 2025, e o contrato foi formalizado em 23 de dezembro, no apagar das luzes do ano fiscal. A concessão abrange a modernização, operação e manutenção do parque de iluminação pública, incluindo a substituição de lâmpadas por LED e a gestão integrada da rede de semáforos, com o objetivo de melhorar a eficiência energética e a segurança viária na capital cearense.
Evandro Leitão, eleito prefeito em outubro de 2024 com 50,38% dos votos válidos no segundo turno contra o candidato André Fernandes, assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2025. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Leitão, de 57 anos, é auditor adjunto da Secretaria da Fazenda do Ceará e ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado. Sua administração tem enfrentado críticas recentes, incluindo um baixo índice de aprovação entre prefeitos do Nordeste, e o contrato bilionário surge em meio a debates sobre gestão fiscal e parcerias público-privadas.
Opositores e analistas questionam a celeridade do processo, argumentando que uma empresa recém-constituída pode não ter expertise comprovada para um projeto de tal magnitude. A Prefeitura defende a concessão como um passo para modernizar a infraestrutura urbana, com investimentos privados que aliviam o orçamento municipal. No entanto, veículos de imprensa e redes sociais destacam o risco de comprometimento orçamentário para gestões futuras, já que o contrato se estende até 2040.
Organizações de transparência, como o Ministério Público do Ceará, já sinalizaram interesse em investigar o caso, embora não haja confirmação oficial de inquérito até o momento. A população de Fortaleza, com mais de 2,7 milhões de habitantes, aguarda esclarecimentos sobre como o acordo impactará tarifas e serviços cotidianos, especialmente após recentes aumentos na taxa de iluminação pública.
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