Tensão interna e pressões políticas aceleram saída de Lewandowski da Justiça

Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu quase dois anos
Por: Brado Jornal 12.jan.2026 às 10h00
Tensão interna e pressões políticas aceleram saída de Lewandowski da Justiça
Foto: José Cruz/Agência Brasil
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi motivada por atritos internos no governo federal, especialmente com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e também com a Secretaria de Comunicação Social (Secom). Segundo relatos de fontes próximas ao Planalto publicados pelo jornal O Globo, o ex-ministro acumulou desgastes, incluindo "fogo amigo" de colegas na Esplanada, além de se sentir isolado nas negociações com o Congresso e maltratado pela administração.

Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu quase dois anos. Sua principal iniciativa, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública que busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios no combate ao crime, não avançou no Legislativo. O texto, finalizado pelo ministério em outubro de 2024, ficou retido por meses na Casa Civil, gerando frustração.

Um dos pontos de maior tensão ocorreu em novembro, durante reunião tensa, quando surgiu a sugestão de criar uma secretaria extraordinária de segurança pública ligada à Casa Civil (ideia apresentada pela Secom após operação policial no Rio). Lewandowski interpretou isso como tentativa de enfraquecer sua pasta e questionou diretamente Rui Costa:“Se quiser a segurança pública, pode ficar para você.”

Nos bastidores, o ex-ministro expressou que não se sentia “bem tratado” pelo governo. A saída, oficializada recentemente, pode atrasar ainda mais a tramitação da PEC devido à instabilidade no comando da pasta.

Atualmente, o Ministério da Justiça é chefiado interinamente pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto. Para o cargo efetivo, ganha força a indicação de Wellington Cesar Lima e Silva, advogado-geral da Petrobras. O nome é impulsionado pela ala baiana do PT, com apoio do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), Rui Costa e o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Wagner, quando governador da Bahia, indicou César para procurador-geral de Justiça no estado.


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