O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann faleceu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília, vítima de câncer de pâncreas, doença contra a qual lutava havia anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), instituição da qual era diretor-presidente desde 2022, e por fontes próximas à família.
Jungmann, nascido Raul Belens Jungmann Pinto em 3 de abril de 1952, em Recife (PE), consolidou uma trajetória marcada por perfis técnico e conciliador. Formado em Economia, iniciou na vida pública como deputado federal por Pernambuco em três mandatos (eleito em 2002, 2006 e 2014). No governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário, onde gerenciou conflitos fundiários e políticas de reforma agrária.
Em 2016, no governo Michel Temer (MDB), assumiu o Ministério da Defesa, tornando-se um dos poucos civis a chefiar a pasta das Forças Armadas. Em 2018, foi o primeiro titular do Ministério Extraordinário da Segurança Pública (criado para coordenar ações federais contra o crime organizado e intervenções estaduais), cargo que ocupou até o fim do mandato de Temer.
Desde 2022, liderava o Ibram, onde defendeu a agenda ESG (ambiental, social e governança) no setor mineral, promovendo sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Sua carreira permitiu trânsito entre diferentes espectros políticos, sempre com ênfase em gestão de crises, defesa nacional e segurança pública.
Nos últimos meses, Jungmann esteve internado no Hospital DF Star, em Brasília, para tratamento. Após período em cuidados paliativos em casa, retornou à unidade hospitalar no fim de semana e não resistiu ao agravamento da doença.
Atendendo a desejo expresso pelo próprio político, o velório será restrito à família e amigos próximos. Não foram divulgados detalhes sobre sepultamento ou cerimônias públicas.Reações de autoridades destacaram sua contribuição à vida pública brasileira:
O ministro do STF Gilmar Mendes descreveu Jungmann como “homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana”, lembrando sua participação no “dream team” do governo FHC e defesa do Estado de Direito.
O senador Sérgio Moro (União-PR) lamentou a perda, citando o encontro na transição de 2018: “Tive a oportunidade de conhecê-lo na transição de governo de 2018, quando ele, com competência, ocupava o cargo de ministro da Segurança Pública”.
A ex-senadora Kátia Abreu afirmou: “Meu amigo querido e amado. Uma das maiores inteligências do país. Vai fazer muita falta ao Brasil”.
O ex-senador Roberto Freire recordou amizade de juventude: “Um dos mais inteligentes e competentes políticos no Parlamento, gestor público no Executivo e na iniciativa privada com quem convivi. Uma perda muito sentida”.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) destacou: “Perco um amigo muito estimado, com quem tive o privilégio de travar muitas lutas meritórias. Que Deus o tenha em sua infinita generosidade”.
A morte de Jungmann gerou comoção na classe política, com elogios ao equilíbrio, competência e compromisso republicano. Sua trajetória reflete uma geração de gestores que atuaram em momentos críticos da redemocratização e estabilização institucional brasileira.
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