A deputada federal Roberta Roma (PL-BA) não assinou o requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar as fraudes e irregularidades no Banco Master, instituição financeira liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central no final de 2025. A decisão da parlamentar ocorre em um contexto de fortes conexões familiares e políticas com figuras diretamente ligadas ao caso, gerando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
O escândalo do Banco Master envolve acusações de fraudes que ultrapassam R$ 12 bilhões, incluindo concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS, descontos indevidos em benefícios previdenciários, venda de títulos sem lastro e desvio de recursos para patrimônio pessoal de controladores. A Polícia Federal, por meio da Operação Compliance Zero, investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, principal acionista do banco, além de outros executivos e intermediários. A CPMI do INSS, já instalada, apura parte dessas irregularidades, mas parlamentares defendem uma comissão específica para o Banco Master, visando aprofundar as investigações sobre o sistema financeiro, a rede de influência política e suposto tráfico de influência.
O requerimento da CPMI do Banco Master já superou as 213 assinaturas necessárias (171 deputados e 27 senadores), com destaques para nomes como Carlos Jordy (PL-RJ) e Capitão Alden (PL-BA) na mobilização. Contudo, vários parlamentares baianos têm sido criticados pela falta de apoio. Entre eles está Roberta Roma, casada com João Roma, ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro e atual presidente do PL na Bahia.
João Roma mantém ligações conhecidas com o universo do Banco Master, especialmente com Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima. Guga Lima foi sócio e CEO do Banco Master, onde entrou em 2020 levando o CredCesta, correspondente bancário e programa de consignados que se tornou um dos principais ativos da instituição, enquanto João Roma ocupava o cargo de Ministro da Economia no Governo Bolsonaro. Guga deixou a sociedade em maio de 2024 e, posteriormente, adquiriu o Banco Voiter (atual Banco Pleno), operação aprovada pelo Banco Central mesmo após sua prisão temporária na Operação Compliance Zero. Relatos apontam que João Roma tem relações pessoais com Guga Lima, incluindo apresentações sociais e proximidade em círculos políticos baianos, conexões que envolvem tanto figuras da direita local quanto interlocuções mais amplas no estado.
A proximidade entre o casal Roma e Guga Lima é destacada em análises do caso, que mencionam almoços e eventos sociais onde o empresário aparece ao lado de Roberta Roma, reforçando uma rede de relações que inclui ex-ministros e atores do mercado financeiro associados ao Banco Master antes da intervenção.
A omissão de parlamentares baianos tem sido chamada de “silêncio na Bahia” por críticos, que apontam o contraste entre o impacto das fraudes no estado, com milhares de aposentados prejudicados, e a relutância de representantes locais em pressionar por investigações mais amplas. A CPMI do INSS já ouviu Daniel Vorcaro, quebrou sigilos e identificou indícios de envolvimento de pastores evangélicos, empresários como Nelson Tanure e decisões do STF que limitaram o alcance de provas.
Até o momento, Roberta Roma não divulgou justificativa pública para não assinar o requerimento. A ausência de posicionamento é interpretada por opositores como reflexo de lealdades familiares e partidárias, em um momento em que o caso ganha contornos nacionais, com bloqueios judiciais de bilhões de reais e apurações paralelas do TCU e do Banco Central.
Enquanto a comissão avança e o debate sobre transparência no sistema financeiro brasileiro se intensifica, o episódio reforça a percepção de que conexões pessoais e políticas continuam a influenciar o ritmo das investigações sobre um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
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