O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está discutindo uma proposta que obrigaria provedores de internet e plataformas digitais a removerem conteúdos considerados "ataques" às urnas eletrônicas, mesmo sem a necessidade de uma ordem judicial prévia.
A informação foi divulgada em reportagem do SBT News nesta terça-feira (20), gerando imediata repercussão nas redes sociais e entre especialistas em direito digital.
A medida, se aprovada, seria implementada como parte de um esforço para combater a desinformação durante o período eleitoral de 2026, mas levanta preocupações sobre possíveis abusos e violações à liberdade de expressão.
O TSE busca estabelecer protocolos que permitam a remoção rápida de postagens, vídeos ou artigos que questionem a integridade das urnas eletrônicas, sistema utilizado no Brasil desde 1996.
O ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, tem sido um dos principais defensores de ações mais ágeis contra fake news e discursos que possam minar a confiança no processo eleitoral.
Imagens mostram demonstrações técnicas das urnas, com testes de biometria, teclado numérico e impressoras de comprovantes, enfatizando a suposta segurança do equipamento.
No entanto, a controvérsia reside na definição do que seria um "ataque": críticas legítimas, denúncias de irregularidades ou alegações de fraude poderiam ser enquadradas, dependendo da interpretação.
A proposta surge em um contexto de polarização política acentuada, especialmente após as eleições de 2022, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) questionaram a lisura do pleito, alegando vulnerabilidades nas urnas. Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente detido na Papuda, tem sido figura central nessas discussões.
Grupos bolsonaristas, como os participantes da "Caminhada pela Justiça" liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), veem a medida como uma extensão do "ativismo judicial" que, segundo eles, silencia vozes dissidentes.
Ferreira, que avança em sua marcha de 240 km até Brasília, comentou em suas redes: "Mais uma tentativa de calar o povo. Liberdade não se negocia".
Especialistas consultados pela reportagem do SBT alertam para os riscos. O advogado constitucionalista Paulo Henrique dos Santos Lucon afirmou que "a remoção sem ordem judicial pode ferir o Marco Civil da Internet e a Constituição, que garantem o devido processo legal".
Já defensores da proposta, como o procurador eleitoral auxiliar Humberto Jacques, argumentam que a agilidade é essencial para preservar a democracia, citando exemplos internacionais como a União Europeia, onde plataformas como Google e Meta são obrigadas a moderar conteúdos falsos em tempo real.
O TSE ainda não se pronunciou oficialmente sobre a proposta, mas uma audiência pública está marcada para fevereiro. Se implementada, a medida poderia afetar milhões de usuários, especialmente em plataformas como X, YouTube e Instagram, que já enfrentam pressões judiciais no Brasil. Críticos temem que isso favoreça o governo atual, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma eleição que promete ser acirrada. Enquanto isso, movimentos como a caminhada de Ferreira ganham fôlego, unindo parlamentares e civis em defesa da "liberdade de expressão" contra o que chamam de "censura institucional". O debate promete esquentar à medida que o calendário eleitoral avança.
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