TSE propõe remoção de conteúdos contra urnas eletrônicas sem ordem judicial

Críticos alertam para risco de censura prévia e limitação à liberdade de expressão em ano eleitoral
Por: Brado Jornal 20.jan.2026 às 17h04
TSE propõe remoção de conteúdos contra urnas eletrônicas sem ordem judicial
Antonio Augusto/Secom/TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está discutindo uma proposta que obrigaria provedores de internet e plataformas digitais a removerem conteúdos considerados "ataques" às urnas eletrônicas, mesmo sem a necessidade de uma ordem judicial prévia.
A informação foi divulgada em reportagem do SBT News nesta terça-feira (20), gerando imediata repercussão nas redes sociais e entre especialistas em direito digital.
A medida, se aprovada, seria implementada como parte de um esforço para combater a desinformação durante o período eleitoral de 2026, mas levanta preocupações sobre possíveis abusos e violações à liberdade de expressão.

O TSE busca estabelecer protocolos que permitam a remoção rápida de postagens, vídeos ou artigos que questionem a integridade das urnas eletrônicas, sistema utilizado no Brasil desde 1996.
O ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, tem sido um dos principais defensores de ações mais ágeis contra fake news e discursos que possam minar a confiança no processo eleitoral.
Imagens mostram demonstrações técnicas das urnas, com testes de biometria, teclado numérico e impressoras de comprovantes, enfatizando a suposta segurança do equipamento.
No entanto, a controvérsia reside na definição do que seria um "ataque": críticas legítimas, denúncias de irregularidades ou alegações de fraude poderiam ser enquadradas, dependendo da interpretação.

A proposta surge em um contexto de polarização política acentuada, especialmente após as eleições de 2022, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) questionaram a lisura do pleito, alegando vulnerabilidades nas urnas. Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente detido na Papuda, tem sido figura central nessas discussões.
Grupos bolsonaristas, como os participantes da "Caminhada pela Justiça" liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), veem a medida como uma extensão do "ativismo judicial" que, segundo eles, silencia vozes dissidentes.
Ferreira, que avança em sua marcha de 240 km até Brasília, comentou em suas redes: "Mais uma tentativa de calar o povo. Liberdade não se negocia".

Especialistas consultados pela reportagem do SBT alertam para os riscos. O advogado constitucionalista Paulo Henrique dos Santos Lucon afirmou que "a remoção sem ordem judicial pode ferir o Marco Civil da Internet e a Constituição, que garantem o devido processo legal".
Já defensores da proposta, como o procurador eleitoral auxiliar Humberto Jacques, argumentam que a agilidade é essencial para preservar a democracia, citando exemplos internacionais como a União Europeia, onde plataformas como Google e Meta são obrigadas a moderar conteúdos falsos em tempo real.

O TSE ainda não se pronunciou oficialmente sobre a proposta, mas uma audiência pública está marcada para fevereiro. Se implementada, a medida poderia afetar milhões de usuários, especialmente em plataformas como X, YouTube e Instagram, que já enfrentam pressões judiciais no Brasil. Críticos temem que isso favoreça o governo atual, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma eleição que promete ser acirrada. Enquanto isso, movimentos como a caminhada de Ferreira ganham fôlego, unindo parlamentares e civis em defesa da "liberdade de expressão" contra o que chamam de "censura institucional". O debate promete esquentar à medida que o calendário eleitoral avança. 


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Ratinho Júnior avança na corrida presidencial sem Tarcísio
Governador do Paraná encomenda pesquisas e ganha apoio para candidatura em 2026
Caminhada pela Justiça: Nikolas Ferreira lidera marcha de 240 km contra prisões do 8 de Janeiro e condenação de Bolsonaro
Deputado federal avança pela BR-040 com apoio de parlamentares e civis, em ato simbólico que critica abusos judiciais e busca mobilizar apoiadores
"Groenlândia Não Está à Venda": milhares protestam contra ameaças de anexação pelos EUA sob Trump
Manifestação histórica na capital Nuuk reúne milhares em defesa da soberania, enquanto Europa condena tarifas retaliatórias e pressões militares
Aleluia sobre ACM Neto: “Ele navega nesse Centro de maneira vacilante”
Parlamentar do PL-BA questiona posicionamento político do pré-candidato a governador da Bahia durante participação no Brado Jornal, apontando hesitação ideológica em meio a debates sobre 2026
Coordenador da base do Palmeiras detona desempenho após eliminação na Copinha
João Paulo Sampaio cobra atitude e destaca falta de futebol em campanha alviverde
Margareth Menezes no Carnaval de Salvador: Ministra da Cultura defende participação artística apesar de suspeitas de conflito de interesses
Ministra da Cultura recebe críticas por manter shows no Carnaval com verbas públicas em jogo
Carregando..