A nota do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre o caso Master gerou divisões internas na Corte e frustração entre alguns ministros

Fachin interrompe recesso para tentar conter desgaste, mas posicionamento divide opiniões no tribunal
Por: Brado Jornal 23.jan.2026 às 10h27
A nota do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre o caso Master gerou divisões internas na Corte e frustração entre alguns ministros
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Edson Fachin, atual presidente do STF, suspendeu seu período de férias e voltou mais cedo a Brasília para dialogar com colegas e tentar amenizar a crise provocada pelas controvérsias nas decisões do ministro Dias Toffoli no inquérito relacionado ao Banco Master.

Segundo fontes próximas, o magistrado justificou a necessidade de presença na capital afirmando que o “momento exige” sua atuação direta.

Após essas conversas, incluindo com o vice-presidente Alexandre de Moraes, Fachin divulgou uma nota oficial na noite de quinta-feira (22), em nome da instituição.

A declaração foi elaborada com consulta prévia a alguns ministros, como Moraes que apoia a conduta de Toffoli no processo e Gilmar Mendes, decano da Corte e também alinhado a essa visão.

No entanto, parte dos ministros soube do conteúdo apenas quando a Secretaria de Comunicação Social do STF o tornou público, o que aumentou o desconforto.

O texto de Fachin provocou reações opostas no plenário. Para uma corrente, trata-se de uma posição “boa e equilibrada”, que defende institucionalmente o trabalho de Toffoli como relator, responsável pela supervisão judicial da investigação.

Já outra ala critica o documento por ser pouco claro e por adotar uma postura ambígua, com referências ao Banco Central, à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República, ao próprio Toffoli e aos críticos internos, o que seria uma forma de “ficar em cima do muro”.

A manifestação surgiu em resposta a pressões de reportagens que questionam a atuação de Toffoli, levando ministros a defenderem uma reação institucional em prol do Judiciário.

Relatos indicam que Toffoli expressou insatisfação com as críticas recebidas de diferentes espectros políticos, o que contribuiu para a intervenção de Fachin.

Embora nem todos tenham ficado satisfeitos com a abordagem, prevalece a visão de que, no atual contexto, era prioritário proteger a imagem da Corte, deixando correções de rumos ou excessos para momentos futuros.

A nota acabou frustrando assessores e ministros que defendem um código de ética mais rigoroso no STF. Eles lamentam a ausência de autocrítica em um período em que seria oportuno admitir a necessidade de ajustes de conduta para servir de exemplo à sociedade.


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