O presidente Lula e o presidente da Câmara Hugo Motta cancelam encontro sobre fim da escala 6x1 e adiam decisão para após o Carnaval

Incompatibilidade de agendas leva ao adiamento da reunião marcada para quinta-feira (12); pauta prioritária para o governo na campanha à reeleição segue sem data definida, com tramitação na CCJ e possibilidade de projeto de lei com urgência ou PEC
Por: Brado Jornal 11.fev.2026 às 20h00
O presidente Lula e o presidente da Câmara Hugo Motta cancelam encontro sobre fim da escala 6x1 e adiam decisão para após o Carnaval
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), desmarcaram a reunião prevista para a tarde desta quinta-feira (12 de fevereiro de 2026) que discutiria o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias laborais por um de folga). O adiamento foi motivado por conflitos de agenda: Motta informou que viajará na manhã do dia marcado, enquanto o Palácio do Planalto aguardava confirmação da Câmara para ajustar o horário de Lula, sem disponibilidade anterior.

Com o Carnaval se aproximando, o encontro foi transferido para o período pós-feriado, sem data oficial definida até o momento. Hugo Motta também suspendeu as sessões deliberativas desta quarta-feira (11), refletindo o baixo quórum esperado em Brasília nessa semana pré-momesca.

A pauta é tratada como urgente pelo governo federal, que pretende aprová-la ainda no primeiro semestre de 2026 para utilizá-la como bandeira social na campanha à reeleição de Lula. O Planalto avalia alternativas para acelerar a tramitação: encaminhar um projeto de lei com urgência constitucional (o que daria 45 dias para votação na Câmara) ou apoiar a PEC em curso, embora esta exija análise na CCJ, comissão especial e plenário, processo considerado mais demorado.

Na segunda-feira (9 de fevereiro), Motta encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC nº 8 de 2025, que consolida propostas de Erika Hilton (Psol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). O presidente da Câmara enfatizou que o tema não será votado “a toque de caixa” e que a CCJ servirá para “amadurecer” o debate, avaliar impactos econômicos e buscar consenso com o setor produtivo. A intenção é concluir a análise na Casa até maio.

Não houve desentendimentos entre Planalto e Câmara com o adiamento; ambos mantêm alinhamento quanto à necessidade de celeridade, mas com análise cuidadosa. O ministro Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, coordena mobilização externa, com planos de percorrer estados nas próximas semanas para debater a questão com trabalhadores e fortalecer apoio popular.

Outras iniciativas relacionadas tramitam no Congresso: a PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), que reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas (já aprovada na CCJ do Senado e aguardando plenário), e o PL 67/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que estabelece jornada máxima de 40 horas com pelo menos dois dias de descanso.


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