Presidente da CPMI do INSS defende votação em bloco após suspensão por Dino

Carlos Viana classifica liminar como interferência no Legislativo e afirma que prática é tradicional no Congresso
Por: Brado Jornal 05.mar.2026 às 20h48
Presidente da CPMI do INSS defende votação em bloco após suspensão por Dino
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar nesta quinta (5) suspendendo os efeitos das quebras de sigilo aprovadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A decisão atinge especificamente a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e envolve sigilos bancário e fiscal.

Dino argumentou que a votação em bloco, realizada em 26 de fevereiro, quando 87 requerimentos foram aprovados de forma conjunta e simbólica, não atendeu às exigências constitucionais de fundamentação individualizada, debate adequado e motivação específica para cada caso. Segundo o ministro, medidas invasivas como quebra de sigilo não podem ser decididas “no atacado”, sem análise caso a caso, o que viola o devido processo legal.

O magistrado destacou que a suspensão é parcial e temporária, deixando aberta a possibilidade de a comissão rever os pedidos de maneira individualizada, com registro em ata, discussão e deliberação motivada.

Em reação imediata, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), divulgou nota defendendo a validade do procedimento adotado. Ele ressaltou que a Constituição Federal confere ao Congresso Nacional amplos poderes de fiscalização sobre fatos graves relacionados ao uso de recursos públicos e ao funcionamento das instituições estatais.

Viana classificou a liminar como uma interferência que desequilibra as relações entre os Poderes da República. Ele afirmou que a prática de votações em bloco é tradicional e consolidada no Legislativo brasileiro há décadas, sem representar inovação ou irregularidade. O parlamentar expressou indignação e preocupação institucional, afirmando que o Parlamento precisa reafirmar suas prerrogativas com serenidade e determinação diante do que considera um ataque ao equilíbrio entre os poderes.

A decisão de Dino surge após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ter rejeitado recurso da base governista para anular a votação da CPMI, mantendo-a válida no âmbito regimental. A comissão investiga supostas fraudes bilionárias em descontos indevidos de benefícios previdenciários, com foco em operadores e possíveis conexões políticas


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Vorcaro comemora em mensagens emenda de Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master
Banqueiro celebrou proposta como “bomba atômica” no mercado financeiro; texto conhecido como “emenda Master” não foi aprovado e integra análises da CPMI do INSS
Senado aprova aumento progressivo da licença-paternidade até 20 dias
Projeto regulamenta benefício que hoje é de cinco dias e prevê escalonamento a partir de 2027; texto segue para sanção presidencial após aprovação simbólica
Augusto Lima convocado para depor na CPMI do INSS em 11 de março
Ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno (ex-Voiter) deve comparecer à comissão que apura irregularidades no instituto; agenda inclui outros executivos do setor financeiro
Afastados prefeito e vice de Macapá em investigação sobre fraudes em obras de hospital
A operação Paroxismo da Polícia Federal resultou no afastamento do prefeito e do vice de Macapá, com buscas em endereços ligados ao chefe do Executivo
Dino suspende quebra de sigilo de empresária amiga de Lulinha pela CPMI do INSS
Ministro do STF atende parcialmente pedido da defesa de Roberta Luchsinger e critica votação em bloco de requerimentos pela comissão parlamentar que investiga fraudes no INSS.
Lula e Paulo Okamotto transferiram mais de R$ 870 mil para conta de Lulinha, revela quebra de sigilo
Documentos bancários mostram depósitos do presidente e do amigo para filho em 2022 e 2023; recursos foram aplicados em fundos do Banco do Brasil, segundo portal Metrópoles
Carregando..