Lula vê risco eleitoral e discute reação a caso Master

Presidente reúne cúpula do governo para avaliar impacto do endividamento das famílias e dos escândalos de corrupção na imagem do Planalto
Por: Brado Redação 24.mar.2026 às 10h24
Lula vê risco eleitoral e discute reação a caso Master
Sérgio Lima/Poder360
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificou potenciais ameaças ao desempenho eleitoral do governo e convocou ministros para traçar uma estratégia de resposta. O principal foco da reunião, realizada na noite de quarta-feira (18) no Palácio do Planalto, foram dois temas considerados fontes de desgaste: o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras e os recentes escândalos de corrupção, especialmente o caso Banco Master.

Durante o encontro, participantes reconheceram que o alto endividamento da população anula em grande parte os efeitos positivos de medidas como o reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. A taxa básica de juros, fixada em 14,75% após corte de apenas 0,25 ponto percentual pelo Copom, voltou a ser alvo de duras críticas. No dia seguinte, Lula manifestou publicamente sua frustração com o ritmo lento de redução da Selic, defendendo que o índice já deveria estar em torno de 14%.

O presidente atribuiu o escândalo do Banco Master ao “ovo da serpente” deixado pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Apesar de as investigações terem sido estimuladas pelo próprio governo, por meio da Controladoria-Geral da União, da Polícia Federal e do BC, os participantes da reunião admitiram que tanto o caso Master quanto as fraudes no INSS estão sendo cobrados politicamente sobre a atual administração.

Lula demonstrou irritação com o fato de fraudes supostamente herdadas de gestões anteriores estarem prejudicando sua imagem. Auxiliares destacaram a dificuldade de combater a narrativa bolsonarista, que usa os desdobramentos das investigações para associar o governo atual à corrupção, movimento que tem ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a ganhar terreno nas pesquisas.

A estratégia defendida foi insistir na origem bolsonarista dos problemas e reforçar que as ações de combate à corrupção partem do atual governo. Um dos presentes avaliou que o trabalho da PF, do BC e da CGU não tem sido transformado em ganho político, pois a comunicação oficial falha em transmitir que o Planalto atua firmemente contra as irregularidades.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, rebateu a crítica ao afirmar que não cabe à comunicação governamental reagir diretamente a ataques de oposição. A reunião, embora convocada para tratar de pauta de governo, terminou com análise da conjuntura política.

Outra frustração expressa foi a falta de adesão do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à linha de responsabilizar Roberto Campos Neto pela crise do Banco Master. Galípolo não endossou as críticas lideradas pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Similar insatisfação recaiu sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da CGU, Vinicius Carvalho, especialmente pela ausência de comunicação prévia sobre as fraudes nos descontos de aposentados do INSS, que vieram a público em 2025.

Aliados de Lula também questionam vazamentos de informações dentro da Polícia Federal que, na visão deles, visam desgastar o governo. Do lado da PF, há quem avalie que o Executivo não soube aproveitar politicamente as investigações do caso Master.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e próximo ao presidente, criticou publicamente o trabalho da corporação, defendendo que o diretor-geral tomará medidas enérgicas para preservar a credibilidade da instituição. Andrei Rodrigues respondeu que a PF atua com autonomia técnica e independência, reafirmando o compromisso do governo com o combate à corrupção dentro da lei.

Enquanto isso, defensores da política monetária do BC argumentam que eventos internacionais, como os conflitos no Irã e a alta do petróleo, mostram que as cobranças por cortes mais agressivos nos juros já perderam força diante dos impactos na economia global.



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