PF investiga se recursos de Vorcaro custearam estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Polícia Federal apura se valores repassados por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro foram usados para financiar permanência do irmão nos Estados Unidos
Por: Brado Redação 14.mai.2026 às 16h28
PF investiga se recursos de Vorcaro custearam estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Foto: Leonardo Marques/Ministério da Ciência

A Polícia Federal analisa se parte do dinheiro pedido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, serviu também para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação busca esclarecer se os repasses tinham como destino real a obra cinematográfica ou se serviram de justificativa para transferências a outros fins.

Conversas obtidas pelo Intercept Brasil e agora em poder da PF mostram Flávio cobrando parcelas de Vorcaro para o projeto biográfico, previsto para lançamento antes das eleições de outubro. O senador confirmou os contatos, mas negou qualquer troca de favores e destacou que se tratava de patrocínio privado, sem uso de recursos públicos.

Apesar disso, tanto o deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, quanto a empresa Goup Entertainment afirmaram que a produção não recebeu nenhum valor do banqueiro. O longa-metragem, que retrata a campanha de 2018, teria sido alvo de repasses que chegaram a R$ 61 milhões, segundo as apurações.

Documentos revelados indicam uma transferência de US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões) de uma empresa ligada ao Banco Master para o fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas, em fevereiro de 2025. Nos registros americanos, o escritório de um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro aparece como agente legal do fundo. Procurado, o ex-deputado não se manifestou.

Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos no início de 2025. Ele responde a processo no Supremo Tribunal Federal por supostas tentativas de obter sanções econômicas contra o Brasil e ministros da Corte, em meio às investigações sobre a trama golpista envolvendo o pai.

Diante das revelações, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou representação na PF pedindo apuração sobre possível uso dos recursos em lobby, advocacia, campanhas digitais, pressões contra autoridades ou apoio a aliados no exterior.

Flávio Bolsonaro fez as cobranças em diferentes momentos. Uma delas ocorreu em 8 de setembro de 2025, quando ele mencionou dificuldades da produção do filme “Dark Horse” para pagar compromissos da montagem. Dois meses depois, voltou a insistir nos repasses. Os diálogos aconteceram em um período de forte crise no Banco Master, inclusive na véspera da primeira prisão de Vorcaro.

Inicialmente, o senador negou os diálogos ao ser questionado pelo Intercept. Horas depois, admitiu as conversas, classificando-as como negociação entre partes privadas.

Vorcaro encontra-se preso e negocia delação premiada. Suas possíveis revelações podem atingir figuras dos três Poderes, especialmente por indícios de que ele buscava proteção política para encobrir fraudes no banco.

O caso reacendeu o debate político, com narrativas opostas entre esquerda e direita, e se soma a outras operações da PF que envolvem aliados do bolsonarismo.



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