A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa “Dark Horse” — cinebiografia que retrata a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018 —, obteve mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo. Desse total, R$ 26 milhões foram liberados de forma antecipada.
Segundo apuração do The Intercept Brasil, os recursos foram contratados por meio do Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina. O objetivo declarado era instalar 5 mil pontos de internet Wi-Fi gratuita em áreas de vulnerabilidade social na capital paulista. No entanto, apenas 3.200 pontos foram efetivamente colocados, com a maioria ativada durante o período da campanha eleitoral de 2024.
O contrato foi firmado em julho de 2024 com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A entidade de Karina foi a única a apresentar proposta em licitação e, a partir daí, passou a receber sucessivos aportes financeiros da administração municipal.
Paralelamente à execução do contrato público, a mesma empresária atua na produção do filme sobre Bolsonaro. O roteiro é de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, que também aparece no longa interpretando o médico que atendeu o ex-presidente após a facada sofrida em 2018.
O longa-metragem, dirigido por Cyrus Nowrasteh e com Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, foi gravado no Brasil entre outubro e novembro. Estimativas de especialistas em cinema indicam que o custo total da produção deve ficar entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.
Além dos recursos da Prefeitura, a ONG Academia Nacional de Cultura, também ligada a Karina Ferreira da Gama, recebeu R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares via Pix de deputados bolsonaristas, como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon. Essas verbas tinham como destino uma série documental chamada “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, que ainda não foi concretizada.
Mário Frias, além de roteirista, mantém outras conexões com Karina: destinou emendas às ONGs dela e contratou uma de suas empresas durante a campanha eleitoral de 2022.
O caso ganha relevância no contexto de outras investigações que envolvem supostos repasses para o mesmo filme, incluindo valores pedidos pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A produção segue gerando debates sobre o uso de recursos públicos e privados em projetos cinematográficos de viés político.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...