Gestão de Caiado movimentou R$ 1,3 bi via fintech investigada

Repasses da GoiásFomento à BK Bank, ligada ao PCC, totalizaram R$ 1,36 bilhão em programas sociais
Por: Brado Redação 26.mai.2026 às 17h02
Gestão de Caiado movimentou R$ 1,3 bi via fintech investigada
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A administração de Ronaldo Caiado em Goiás transferiu R$ 1,36 bilhão por meio de uma fintech investigada por supostas conexões com o crime organizado. Os recursos eram de programas de transferência de renda e beneficiaram centenas de milhares de famílias goianas.

Documentos do Coaf mostram que a Agência de Fomento de Goiás (GoiásFomento) enviou os valores à BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, entre outubro de 2021 e agosto de 2025. A fintech é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desmantelou esquema de infiltração do PCC no sistema financeiro.

A agência estadual, controlada pelo governo, usava a BK para operacionalizar os benefícios. Os depósitos eram feitos na conta da fintech e, em seguida, distribuídos para cartões de 880 mil beneficiários. Caiado deixou o governo em março deste ano para disputar a Presidência.

Investigações apontam a BK como parte de um “banco paralelo” utilizado por empresas ligadas à facção. O sistema envolvia contas-bolsão, onde recursos de diferentes clientes se misturavam, o que reduzia a transparência. Relatórios da Receita Federal registraram R$ 17,7 bilhões em movimentações na plataforma, volume muito superior ao capital social de apenas R$ 9 milhões da empresa, sediada em Barueri (SP).

Comunicados de bancos enviados ao Coaf destacam transações atípicas, como movimentações incompatíveis com o porte da instituição. Dos 22 alertas sobre a BK, vários estão diretamente relacionados aos repasses da GoiásFomento. Apenas R$ 28,5 milhões seguiram no sentido contrário, referentes a devoluções e remunerações.

Nas compras feitas pelos beneficiários em estabelecimentos credenciados, incidia taxa de até 6%. Até 2024, o valor era dividido igualmente entre a agência goiana e a BK. Após troca de parceira, a divisão mudou para 75,6% à GoiásFomento e 24,4% à nova instituição.

O contrato com a fintech foi firmado em 2020 por credenciamento regular, quando a empresa tinha autorização do Banco Central e parcerias com órgãos públicos. Segundo a gestão goiana, não houve novas transferências após agosto de 2025, data da operação da PF. A administração adotou medidas administrativas e judiciais, com garantia securitária, e afirma não ter sofrido prejuízo.

Após a ação policial, Correios, Serpro e o governo do Paraná romperam relações com a BK. A Justiça determinou bloqueio de valores e preservação de dados. A fintech não se manifestou sobre o caso.

O episódio revela como recursos públicos de programas sociais circularam por uma instituição depois associada a esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao PCC, especialmente no setor de combustíveis. As apurações prosseguem para mapear o uso dessas estruturas financeiras.

A GoiásFomento reforça que a BK operava legalmente na época da contratação e que os últimos repasses referiam-se a saldos remanescentes. O documento do Coaf, no entanto, levanta dúvidas sobre a escolha da parceira e a fiscalização das operações com dinheiro público.



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