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Desfile cívico do 2 de Julho em Salvador é marcado por vaias ao governador Jerônimo Rodrigues, recepção calorosa a ACM Neto e ausência de Lula

Protestos orgânicos, tensão viral e polarização antecipam o clima eleitoral de 2026
Por: Carol Barbalho 03.jul.2026 às 00h27 - Atualizado: 03.jul.2026 às 00h35
Desfile cívico do 2 de Julho em Salvador é marcado por vaias ao governador Jerônimo Rodrigues, recepção calorosa a ACM Neto e ausência de Lula
Foto: Betto Jr./Secom PMS

O tradicional cortejo cívico que celebra os 203 anos da Independência da Bahia transformou-se, mais uma vez, em um termômetro político. Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrentou vaias e um episódio que viralizou nas redes sociais, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) foi recebido com aplausos e manifestações de apoio em vários trechos do percurso. O presidente Lula (PT) optou por não participar do desfile, rompendo com a tradição dos últimos anos.Vaias e constrangimento a Jerônimo RodriguesA comitiva do governador foi recebida com vaias por parte significativa do público ao longo do trajeto do cortejo, especialmente em pontos como a Lapinha e o centro histórico. Vídeos gravados por cidadãos comuns, estudantes e mulheres circularam intensamente nas redes sociais, mostrando gritos de protesto e questionamentos diretos ao chefe do Executivo estadual.


O momento mais repercutido envolveu uma mulher que se aproximou de Jerônimo durante o desfile. Ela o abraçou pelo pescoço/ombro e declarou: “Seu sorriso vai acabar em outubro, você vai vazar, governador”. O registro mostra Jerônimo retirando o braço dela e, em seguida, segurando e apertando seus dedos com força. A mulher reagiu perguntando “Vai me machucar, é?”. O episódio gerou tensão imediata, com intervenção da segurança, e transformou-se em um dos vídeos mais compartilhados do dia.


O caso ilustra o que muitos descreveram como uma manifestação orgânica de descontentamento: pessoas comuns, sem organização aparente de partidos, gravando e confrontando diretamente o governador. Jerônimo, que costuma ser elogiado pela base petista em eventos cívicos, saiu visivelmente constrangido do episódio, que rapidamente ganhou o rótulo de “humilhação” nas redes de oposição.ACM Neto recebe aplausos e ovacionadoEm contraste, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto foi amplamente aplaudido e ovacionado pela multidão durante sua participação no cortejo. Em diversos trechos, apoiadores o cumprimentaram, tiraram fotos e, em alguns momentos, o carregaram nos ombros. A recepção positiva foi especialmente notável em Salvador, onde Neto construiu forte base eleitoral durante seus dois mandatos como prefeito.


As poucas vaias registradas contra ele foram atribuídas, segundo relatos e vídeos, à militância petista ligada ao governo estadual, incluindo sindicalistas da CUT. A maioria das manifestações foi de apoio, reforçando a imagem de Neto como principal liderança oposicionista na disputa pelo governo da Bahia em 2026.Romeu Zema passadespercebidoO pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) participou do desfile ao lado de lideranças do Novo Bahia, usando uma camiseta com a inscrição “Bahia Livre”. Ele declarou apoio explícito a ACM Neto para o governo estadual e criticou a gestão petista.


Apesar da presença, sua participação não gerou grande repercussão ou destaque no evento. Em meio às reações polarizadas entre Jerônimo e Neto, Zema passou despercebido pela multidão, mesmo com o apoio local do partido. Alguns observadores atribuíram isso ao atual momento de suas pesquisas eleitorais (como os números recentes da Atlas Intel), que o deixaram visivelmente menos animado durante o percurso.Lula evita o desfile e inaugura hospital em AlagoinhasO presidente Lula não marcou presença no tradicional desfile cívico de Salvador, algo que vinha fazendo nos últimos anos. Em vez disso, cumpriu agenda oficial na Bahia na véspera e no dia: inaugurou o Hospital Estadual do Litoral Norte em Alagoinhas e participou do início das obras da Ponte Salvador-Itaparica.


A ausência foi interpretada por analistas e opositores como uma decisão estratégica. Lula evitou presenciar constrangimentos aos seus aliados baianos, o governador Jerônimo Rodrigues e o ex-governador e ministro Jaques Wagner, que foram alvos de vaias e protestos durante o cortejo. A escolha de uma inauguração de hospital em Alagoinhas permitiu ao presidente manter uma agenda positiva sem se expor ao clima hostil registrado nas ruas de Salvador.



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