A candidatura da médica Dra. Raíssa Soares (PL) à Câmara dos Deputados ganhou novo impulso nas últimas semanas, com ampliação da presença da candidata em diferentes regiões da Bahia e, especialmente, no interior do estado. No Oeste baiano, a movimentação recente da campanha passou a chamar atenção e reforçou a estratégia de apresentar a médica como uma alternativa política ligada à defesa da saúde pública.
A médica tenta transformar a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas na área da saúde em principal bandeira eleitoral. A campanha destaca a atuação de Raíssa no atendimento médico, a passagem pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Seguro e a experiência durante a pandemia.
A estratégia de Raíssa é associar sua candidatura à discussão sobre os problemas enfrentados pela saúde pública baiana. A candidata tem criticado a estrutura de atendimento do Estado e defendido mudanças na regulação, no atendimento especializado e na distribuição dos serviços de saúde para além da Região Metropolitana de Salvador.
Em junho, por exemplo, Raíssa cobrou explicações após uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia apontar R$ 53,3 milhões relacionados a obras da área da saúde paralisadas, com baixa execução ou ainda não iniciadas. Os convênios analisados pelo tribunal foram firmados pela Secretaria da Saúde do Estado.
O tema ganhou ainda mais relevância depois de o próprio governo estadual reconhecer, em documento publicado no Diário Oficial, insuficiências na capacidade da rede pública para absorver a demanda por procedimentos de média e alta complexidade. O diagnóstico apontou problemas relacionados à regulação e à disponibilidade de estruturas para atendimento.
É nesse cenário que Raíssa procura construir sua identidade eleitoral: a de uma médica que pretende levar para Brasília a experiência acumulada no atendimento à população.
A presença no interior é outro eixo da candidatura. A própria campanha afirma que pretende dar atenção especial às pessoas que vivem fora da capital e aos municípios que, segundo a candidata, enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos de saúde.
Raíssa já realizou agendas em diferentes regiões da Bahia. A estratégia inclui viagens, entrevistas em rádios locais e encontros com moradores, lideranças e apoiadores.
No Oeste baiano, a médica já esteve em atividades voltadas à discussão da saúde pública e da situação da população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS). A agenda regional faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com municípios do interior.
Nos últimos dias, a candidatura também ganhou espaço nos bastidores políticos do PL. Um levantamento interno atribuído a setores ligados ao partido colocou Raíssa entre os nomes mais competitivos da legenda para a disputa pela Câmara Federal. Segundo a publicação, a médica apareceria com uma projeção de 135 mil a 140 mil votos. O levantamento, entretanto, não é uma pesquisa eleitoral registrada e os números não são públicos nem auditados.
A candidatura também se posiciona como oposição ao grupo político que governa a Bahia há quase duas décadas.
Desde 2007, o Estado é administrado por governos do PT. Nesse período, passaram pelo Palácio de Ondina Jaques Wagner, Rui Costa e, atualmente, Jerônimo Rodrigues.
Raíssa utiliza esse histórico para questionar resultados da administração estadual, principalmente nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura. Em declarações anteriores, a médica afirmou que a Bahia enfrenta problemas estruturais e defendeu uma mudança de direção política no Estado.
A crítica ganhou novos episódios recentemente. Em agosto, Raíssa reagiu a declarações do senador Jaques Wagner e voltou a defender uma atuação de oposição ao grupo petista.
Outro episódio recente envolveu um vídeo publicado pela candidata sobre a Ponte Salvador-Itaparica. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral contra o conteúdo. Uma decisão liminar determinou a retirada do material e a suspensão da monetização de parte do vídeo por questões relacionadas ao uso de inteligência artificial e identificação exigida pela legislação eleitoral. A decisão não representou condenação definitiva da candidata.
A candidatura à Câmara também se apoia no desempenho eleitoral de Raíssa em 2022. Naquele ano, quando disputou uma vaga ao Senado pelo PL, ela recebeu mais de 1 milhão de votos na Bahia e terminou como a terceira candidata mais votada na disputa.
Agora, quatro anos depois, a médica tenta transformar aquela votação em uma base eleitoral para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A campanha aposta principalmente na combinação entre a identificação de Raíssa com o eleitorado conservador e sua trajetória na saúde pública.
Com a eleição se aproximando, o desafio será transformar a presença crescente no interior em votos e ampliar a candidatura para além de sua base tradicional no Extremo Sul da Bahia.
A aposta de Raíssa é clara: fazer da saúde o principal cartão de apresentação para uma candidatura que pretende representar, em Brasília, uma oposição ao grupo que comanda a Bahia desde 2007.
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