Vemos hoje lideranças políticas utilizando como estratégia racional, neutralizar e mobilizar uma massa de eleitores emocionalmente engajada. Trata-se de um fenômeno recorrente na política brasileira contemporânea: a conversão do engajamento emocional em capital político.
A redução do debate público funciona como instrumento para simplificar a realidade e substituir a complexidade institucional por narrativas polarizadoras, algo fácil, uma vez que a cultura já enraizou esse modo de pensar e agir, na vida do brasileiro. O problema é que, a longo prazo, quem paga o preço é o próprio povo, que, ao abraçar sua ignorância emocionada, deixa de cobrar responsabilidade das lideranças, dificultando a construção de soluções concretas e duradouras.
Um líder que depende de votos e popularidade tende a oferecer ao povo aquilo que ele clama, no caso do brasileiro, isso costuma ser emoção.
Esse traço emocional na vida nacional tem raízes profundas. Nossa formação histórica, em geral, não valorizou uma cultura institucional forte. Ao desconhecer e, portanto, desvalorizar a própria história, o país se torna terreno fértil para que qualquer agente externo à realidade nacional se apresente como solução. O reflexo disso é a legião de pessoas que acredita que uma outra Nação salvará o Brasil.
O legado populista consolidou a ideia de que a razão pública é privilégio de poucos. O eleitor no seu papel político, em vez de fortalecer e exigir projetos de longo prazo, promove líderes carismáticos que substituem planejamento por apelo emocional.
O resultado é um ambiente social moderno nocivo, no qual a emoção se transforma em moeda de ouro, enquanto a reflexão política é tratada como esterco.
O preço é alto: decisões coletivas guiadas pelo impulso, incapacidade de planejamento de longo prazo e uma sociedade facilmente manipulável por narrativas que tocam o coração, mas não sustentam a realidade.
Quem deveria cobrar atitudes, opta por pagar com a própria vida e a de seus filhos, de forma inconsciente, para viver emoções efêmeras. Mas isso é apenas reflexo das ações cotidianas do brasileiro, um povo doutrinado a “torcer”, assistindo e aplaudindo o espetáculo.
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