A saga dos atrasos e aumentos de custos no VLT de Salvador

Mais de 260% de aumento no valor: o VLT de Salvador e os prazos descumpridos na gestão petista
Por: Carol Barbalho 02.fev.2026 às 21h46 - Atualizado: 02.fev.2026 às 21h55
A saga dos atrasos e aumentos de custos no VLT de Salvador
Reprodução
O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, projetado para substituir o antigo Trem do Subúrbio, foi prometido pela primeira vez em 2015 durante a gestão do governador Rui Costa, do PT, com licitação inicial para um sistema de trilhos. O projeto, que visava melhorar a mobilidade no Subúrbio Ferroviário, acumula mais de uma década de adiamentos e reajustes financeiros, com o contrato rescindido em 2023 sob o governador Jerônimo Rodrigues, também do PT, devido a irregularidades e atrasos. Até fevereiro de 2026, o sistema ainda não está em operação comercial plena, com previsão de conclusão apenas entre 2027 e 2028.

O projeto inicial, anunciado como um marco para a mobilidade urbana, tinha custo estimado em R$ 1,5 bilhão em 2017, durante a administração de Rui Costa. Naquele ano, o governo estadual promoveu sessões públicas e comunicados sobre a licitação, prevendo a substituição do trem suburbano por um VLT moderno. A promessa foi utilizada como bandeira eleitoral em 2018, mas o projeto enfrentou suspensões e liminares judiciais já em 2017.

Em fevereiro de 2021, as obras do VLT, agora reconfigurado como monotrilho, foram iniciadas, levando à desativação do antigo Trem do Subúrbio, que atendia cerca de 6 mil passageiros por dia. A previsão era de conclusão em 2027, mas prazos foram descumpridos repetidamente. Em julho de 2023, o governo estadual já havia gasto ao menos R$ 57 milhões sem avanços estruturais significativos, e o custo total havia sido reajustado em 246%, passando para R$ 5,2 bilhões. Uma promessa de entrega de um trecho de 4 quilômetros até o primeiro semestre de 2023 não se concretizou.

Sob a gestão de Jerônimo Rodrigues, o contrato com a concessionária Skyrail Bahia (ligada à BYD) foi rescindido em 2023 por irregularidades e atrasos no projeto. Em dezembro de 2023, uma nova licitação foi autorizada, com custo estimado em R$ 3,6 bilhões para um percurso de 36,4 quilômetros e 34 paradas. As obras foram reiniciadas em junho de 2024, com assinatura de ordem de serviço. No entanto, em março de 2024, supostas irregularidades na licitação levaram a uma suspensão temporária, questionada por vereadores da oposição.

Em agosto de 2024, o governo adquiriu 40 composições de trens paradas há mais de 10 anos em Cuiabá (Mato Grosso), originalmente destinadas à Copa do Mundo de 2014, por cerca de R$ 1 bilhão, em acordo com o governador Mauro Mendes. O estado alegou economia de 37,5% em comparação a trens novos, mas a compra gerou críticas por envolver equipamentos expostos ao tempo e nunca operados. O custo total do sistema foi atualizado para R$ 3,2 bilhões nessa fase.

Em dezembro de 2025, os primeiros trens foram apresentados, e o investimento total do projeto foi elevado para R$ 5,4 bilhões, incluindo reajustes por revisões no traçado e fatores como inflação. Em janeiro de 2026, as obras avançaram para instalação de trilhos no Trecho 2, com investimentos divididos em lotes: R$ 801,4 milhões no Lote 1, R$ 395 milhões no Lote 2 e R$ 19,1 milhões no Lote 3. Apesar dos progressos, como a chegada de dois trens e previsão de mais 20 ao longo de 2026, o sistema completo permanece sem data de operação plena.

O governo estadual transferiu recursos aprovados originalmente no governo de Jaques Wagner (PT, 2007-2014) para o metrô, destinando-os ao VLT em outubro de 2024, incluindo R$ 388 milhões do Novo PAC em outubro de 2025. Em 2025, mais R$ 600 milhões foram alocados para acelerar as obras. No total, os custos ultrapassaram em mais de 260% a estimativa inicial de R$ 1,5 bilhão, refletindo uma sequência de reajustes desde 2017.

Em 31 de janeiro de 2026, o VLT realizou sua primeira viagem-teste com participação da população no trecho entre Calçada e Lobato, com cinco paradas. Cerca de 120 pessoas embarcaram, incluindo moradores da região, autoridades, imprensa e o governador Jerônimo Rodrigues (PT). A atividade permitiu avaliar o desempenho do modal em condições reais, com percurso de ida e volta. A presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, afirmou que as obras avançaram significativamente, com o Trecho 1 ultrapassando 50% de execução, mais de 21 km de via permanente implantados e 4 km energizados. Ela anunciou que, até junho de 2026, haverá operação assistida nesse trecho, com capacidade reduzida de passageiros e tarifa gratuita. O primeiro trecho deve ser entregue antes do prazo contratual de 2028, com inauguração prevista para 2027 entre Calçada e Ilha de São João. O governador Jerônimo Rodrigues destacou que dois trens já estão em Salvador, com quase 20 previstos para chegar ao longo de 2026, e que a obra segue em ritmo acelerado, com tecnologia, responsabilidade ambiental e diálogo com a população.


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