Brasil encerra representação dos interesses argentinos na Venezuela após atritos com Milei

Governo brasileiro decide deixar a custódia da embaixada em Caracas, assumida desde 2024, citando provocações do presidente argentino e falta de confiança; Itália deve assumir o papel
Por: Brado Jornal 11.jan.2026 às 07h59
Brasil encerra representação dos interesses argentinos na Venezuela após atritos com Milei
Foto: Henry Chirinos/EFE
O Itamaraty comunicou oficialmente à Argentina que o Brasil não continuará representando seus interesses diplomáticos na Venezuela, onde o governo de Javier Milei mantém a embaixada sem corpo diplomático próprio desde agosto de 2024. A tutela da embaixada argentina em Caracas, que estava sob responsabilidade brasileira há quase 18 meses, será transferida para a Itália.

A decisão surge em meio a crescentes tensões bilaterais, agravadas por uma série de postagens e críticas públicas do presidente argentino direcionadas ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as provocações destacadas estão publicações nas redes sociais que associavam o Brasil a imagens negativas, como a representação do país como uma "grande favela" em contraste com nações vizinhas, e menções indiretas ligando o governo brasileiro a figuras políticas contestadas, inclusive após eventos como a captura de Nicolás Maduro.

Fontes do governo brasileiro, sob anonimato, expressaram frustração, afirmando que se tornou incoerente e difícil manter a representação de um país alinhado ideologicamente de forma oposta, especialmente após repetidas mensagens agressivas de Milei. O Brasil havia assumido o encargo a pedido da Argentina para proteger refugiados e opositores asilados na embaixada, intermediar contatos com o regime de Maduro, incluindo solicitações pela libertação de um agente da gendarmeria argentina detido, e garantir o funcionamento básico da missão diplomática em meio à crise.

Apesar dos esforços e riscos assumidos, como bloqueios de suprimentos e vigilância intensa por parte das autoridades venezuelanas, o cenário mudou significativamente após a queda de Maduro, reduzindo a necessidade de continuidade da custódia brasileira. A comunicação da decisão já foi feita tanto ao governo argentino quanto às autoridades venezuelanas atuais.

A relação entre Lula e Milei permanece marcada por divergências profundas, com o presidente argentino frequentemente criticando o Brasil no âmbito do Mercosul e elogiando pressões externas, como as dos Estados Unidos, sobre a Venezuela. A transferência para a Itália é vista como uma opção alinhada com a proximidade ideológica entre Milei e a primeira-ministra Giorgia Meloni.


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