O governo alterou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e deverá adquirir dois supercomputadores entre os dez mais potentes do mundo — um dos Estados Unidos e um da China —, em vez de um único equipamento.
Os aparelhos custarão mais de R$ 2 bilhões. As licitações devem ser publicadas nos próximos dias, segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
A máquina é vista como peça central da estratégia brasileira de inteligência artificial e será usada no desenvolvimento de tecnologia própria, incluindo modelos de IA nativamente brasileiros, do governo ou da iniciativa privada.
O anúncio segue reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com especialistas da área, entre eles Mat Velloso, ex-executivo do Google. Em coletiva, Lula afirmou que o Brasil não está pronto para disputar tecnologicamente com americanos ou chineses e disse querer os dois países “conosco”.
O principal supercomputador terá potência de 9,2 megawatts, o que o colocaria na sexta posição do ranking Top500 e consumiria energia equivalente a cerca de 45 mil casas. “Cada máquina fará vários quatrilhões de operações matemáticas por segundo”, disse a ministra.
As especificações foram definidas pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ). Por causa da demanda elétrica, o governo desistiu de instalá-lo lá. Lula deve escolher entre a capital fluminense, um ponto no Rio Grande do Norte ou Campinas (SP). A tendência é um no Sudeste e outro no Nordeste, para enfrentar a desigualdade regional.
O edital terá três fases focadas na soberania digital. A primeira é a compra de um equipamento entre os dez mais potentes, sem restrições (a ministra avalia que o fornecedor será a Nvidia). A segunda envolve encomenda tecnológica com países em desenvolvimento, sendo a China o único capaz de fornecer. A terceira é investimento em processadores sob coordenação da Risc-V International.
A estratégia se consolidou com a adesão do Brasil à Waico, organização alinhada à China. “Nós queremos diversificar a rota para não ficar dependendo exclusivamente de um determinado país”, afirmou Santos.
As máquinas serão usadas no treinamento de grandes modelos de linguagem brasileiros e ficarão disponíveis para governos, universidades e empresas.
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