A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (24) um editorial intitulado “Brazil turns its back on the future” (“O Brasil vira as costas para o futuro”). O texto afirma que a eleição geral marcada para 4 de outubro oferece pouca esperança de mudança na trajetória econômica do país.
Segundo a publicação, o Brasil possui vastos recursos — reservas de petróleo em expansão, a maior floresta tropical do mundo, geração hidrelétrica, terras agrícolas altamente produtivas, minerais raros e uma população empreendedora. Apesar desse potencial, a economia brasileira estagnou ao longo do último meio século em comparação com seus pares e com o crescimento médio global.
A revista descreve a escolha apresentada aos eleitores como sombria. Os dois principais candidatos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, aparecem empatados nas pesquisas. Nenhum dos dois, de acordo com o editorial, apresenta um plano crível para enfrentar os dois maiores problemas do país: a corrupção enraizada e a expansão contínua dos gastos públicos. Sem um caminho para reduzir a dívida em relação ao PIB, o risco de uma espiral de juros e endividamento permaneceria elevado, limitando o capital disponível para aumentar a produtividade e o crescimento.
O texto menciona que a candidatura de Renan Santos, do partido Missão, é a que mais se aproxima do que o momento exige, por defender reformas estruturais e cortes de gastos. No entanto, observa que nem ele nem outros outsiders conseguiram avançar contra as máquinas políticas rivais de Lula e da família Bolsonaro. O país, segundo a revista, caminha para uma crise previsível.
Sobre o presidente, o editorial registra que, apesar de postura correta em relação ao meio ambiente, pouco foi feito para impulsionar o crescimento econômico ou conter os gastos públicos, e menciona a idade de Lula, prestes a completar 81 anos. Sobre Flávio Bolsonaro, aponta posições que incluem questionamentos sobre a integridade das urnas eletrônicas e sobre a causa humana das mudanças climáticas.
A The Economist conclui que o futuro brilhante do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos. Afirma que instituições vitais ainda funcionam, como a Polícia Federal, que investiga casos de fraude e a conspiração golpista associada à família Bolsonaro. O texto encerra avaliando que somente após uma eventual crise gerada pelo endividamento e pelos custos de financiamento os brasileiros poderão se voltar para alguém disposto a defender a necessidade de sacrifícios para construir um futuro diferente.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...