Gravações feitas ao longo de vários meses mostram a influenciadora Glenda Varotto, conhecida como Espectro Cinza, repetindo que queria ver morto o coordenador do movimento e candidato à Presidência pelo partido Missão. A ex-militante, que havia sido anunciada como pré-candidata a deputada federal, afirmou, em um dos registros, que queria o cara morto. Em outro trecho, disse que ficaria satisfeita desde que ele estivesse morto, sem se importar com o restante.
O material foi registrado em conversas com um confidente, ex-professor de inglês. De acordo com o conteúdo, o rancor teria começado depois que o presidenciável não retribuiu ao interesse romântico dela. A partir desse ponto, ela teria procurado outros desligados do grupo para provocar irritação, constrangimento e humilhação ao alvo.
Glenda Varotto, de 34 anos, natural de Carazinho (RS), ingressou no MBL no início de 2025, escreveu para a revista do movimento e recebia comissão pela venda de produtos. O rompimento ocorreu no fim de abril. Ela se apresenta como palestrante e escritora e reúne cerca de 180 mil seguidores.
Nas falas, ela afirma que não seria a única a desejar o pior ao candidato e cita outros ex-integrantes. Também avalia que, se ela própria cometesse o ato, poderia não permanecer muito tempo presa por ter formação superior, ser branca e não ter antecedentes policiais.
O presidenciável, de 42 anos, apresentou notícia-crime à Polícia Federal em São Paulo no dia 27 de agosto. A defesa pediu a instauração de inquérito, a perícia do material e a oitiva dos envolvidos. O caso tramita em sigilo. Em nota, ele afirmou que as polícias Civil e Federal abriram apurações e falou em uma rede que atua desde 2024 para imputar crimes e atingir sua reputação, campanha e honra. Disse ainda que ela tentou um envolvimento sem sucesso e, diante da recusa, passou a atacá-lo.
Glenda Varotto classificou os áudios como um desabafo, dito da boca para fora. Afirmou que nunca teve intenção real de matar ninguém e que é alvo de uma campanha de destruição de imagem.
O partido Missão, formado por militantes do MBL, obteve registro no TSE em novembro de 2025. Renan Santos disputa sua primeira eleição e figura em pesquisas recentes com cerca de 5% das intenções de voto no primeiro turno.
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