A proporção de famílias brasileiras com algum tipo de dívida chegou a 82% em julho, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado representa alta de 0,4 ponto percentual em relação a junho e avanço de 3,5 pontos percentuais na comparação com o mesmo mês de 2025.
Com o novo resultado, o indicador completa seis meses consecutivos de recordes. Cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de loja continuam sendo as principais modalidades de endividamento.
Apesar do crescimento do endividamento, a parcela de consumidores com contas em atraso recuou ligeiramente, de 29,9% para 29,8%. A melhora ocorre após os primeiros três meses do programa Desenrola 2.0. No entanto, aumentou o peso das dívidas no orçamento: 19% das famílias afirmaram ter mais da metade da renda comprometida com pagamentos, o maior nível desde março. Em média, os endividados destinam 29,5% da renda mensal a esses compromissos.
As famílias de menor renda sentem mais a pressão. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o endividamento atingiu 84,9%, e a inadimplência subiu de 38,3% para 38,5%. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 72%, enquanto a inadimplência caiu.
Alguns sinais positivos aparecem nos dados. O tempo médio de atraso das contas recuou para 64,6 dias, e a parcela de dívidas vencidas há mais de 90 dias caiu para 48,5%. A confederação avalia que o programa de renegociação, o avanço da renda e o controle da inflação ajudam a explicar a melhora parcial, mas alerta para a necessidade de medidas que aliviem o orçamento dos trabalhadores.
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