Em março de 2026, a Polícia Federal enviou ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pedindo autorização para acessar pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, e por outros investigados a pessoas com foro privilegiado. Até agora, o processo tornado público nesta segunda-feira (14) não registra resposta do relator.
A peça veio à tona depois que o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a retirada de sigilo. Um dos delegados do caso Master informou a Mendonça que a PF havia pedido ao Coaf Relatórios de Inteligência Financeira dos alvos, para rastrear eventual dinheiro ilícito. O conselho atendeu só em parte. Ao examinar os dados, identificou movimentações entre investigados e autoridades com foro por prerrogativa de função. Sem ordem expressa do STF, o Coaf disse que não poderia encaminhar esse trecho.
O delegado pediu então que o ministro intercedesse e autorizasse o envio. Argumentou que a cautela do Coaf respeita as regras de competência, mas que a investigação já corre no Supremo e que o juízo competente para autorizar o acesso a dados sigilosos seria o próprio Mendonça. O ministro não se manifestou sobre o pedido no andamento do processo.
Junto ao ofício, a PF anexou a resposta parcial do Coaf, com movimentações financeiras ligadas ao caso. Um dos trechos destacados aponta mais de R$ 57 milhões movimentados pela Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. A instituição já foi alvo da CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas. No período analisado, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, transferiu mais de R$ 19 milhões à igreja.
A abertura dessa petição foi pedida no domingo (13) por Alexandre de Moraes. O ministro sustentou que todos os autos do Master precisam ficar visíveis aos pares antes da sessão de terça-feira (15), quando o plenário discute se abre apuração contra ele por causa das mensagens com Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República também se posicionou a favor do fim do sigilo.
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