Casas Bahia registra prejuízo bilionário e considera nova recuperação

Varejista aponta perdas de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e avalia reorganização formal de dívidas diante de cenário adverso
Por: Brado Redação 17.ago.2026 às 07h52
Casas Bahia registra prejuízo bilionário e considera nova recuperação
Reprodução

A varejista Casas Bahia encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor representa cerca de 18 vezes o resultado negativo de R$ 555 milhões registrado no mesmo período de 2025. Em base ajustada, as perdas alcançaram R$ 978 milhões, alta de 76% na comparação anual.

O resultado foi fortemente influenciado por efeitos não recorrentes de R$ 9,1 bilhões, que incluem baixas de ativos, despesas com reestruturação, contratos não cumpridos e impactos relacionados ao imposto de renda diferido. A receita líquida avançou 1,6%, chegando a R$ 6,97 bilhões. Já o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.

No documento que acompanha as demonstrações financeiras, a empresa descreve um ambiente de crédito mais restrito e um quadro macroeconômico mais difícil do que o esperado, marcado por juros elevados, pressão sobre o consumo das famílias e disputa pelo orçamento doméstico, inclusive com apostas on-line. Diante desse cenário, a companhia intensificou a segunda fase de seu plano de transformação, com foco em canais e categorias de maior margem, redução do capital empregado e do custo de financiamento, além do reforço na geração de caixa livre.

Essa etapa envolveu o fechamento de 298 lojas, a adequação de estoques e do capital de giro, além de ajustes no quadro de funcionários. Ao fim de junho, a empresa contava com 30.117 colaboradores, 1.622 a menos do que no início do ano anterior. Houve também relatos recentes de demissões em massa. A companhia revisa níveis de estoque, sortimento, volumes de compras, estrutura organizacional, contratos e despesas administrativas para alinhar os custos ao volume esperado de atividade.

A divulgação do balanço, prevista inicialmente para quarta-feira e depois para sexta-feira, só ocorreu na madrugada de domingo. O atraso pode resultar em multa junto à CVM.

A administração informa que segue avaliando alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas. Entre as medidas sob análise estão a reorganização formal de passivos e obrigações, incluindo a possibilidade de uma nova recuperação extrajudicial ou judicial. Em 2024, a empresa já havia passado por uma recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 4,1 bilhões.

A implementação dessas iniciativas está sujeita a riscos de execução e, em alguns casos, à concordância de terceiros, sem garantia de que os resultados esperados serão alcançados nos prazos previstos.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Carregando..