Ex-sócio cobra Flávio e cita Rolex, festas e lobby com Kassio

Alexandre Santini guarda mensagens, fotos e notas sobre a Kopenhagen da Barra, mimo de R$ 305 mil e interlocução com o gabinete do ministro do STF
Por: Brado Redação 29.set.2026 às 10h32
Ex-sócio cobra Flávio e cita Rolex, festas e lobby com Kassio
Reprodução

Alexandre Ferreira Dias Santini, antigo sócio de Flávio Bolsonaro na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen no shopping da Barra da Tijuca, passou a pressionar o senador por um “acerto de contas” depois da eleição de 2022. A loja foi alvo do Ministério Público do Rio nas investigações das rachadinhas e acabou fechada. A investigação foi arquivada na Justiça, mas a relação entre os dois azedou por questões financeiras.

Santini diz ter administrado um caixa paralelo do então filho do presidente e organizado encontros privados com garotas de programa, em hotéis como o Grand Hyatt, na Barra, e também em Brasília. Há cerca de três anos, levou relatos, prints e imagens à mulher de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro. O casamento atravessou uma crise. A cúpula da campanha de Jair Bolsonaro tentou conter o ex-sócio. Fernanda depois aceitou as desculpas do marido. Santini, paciente do consultório dela no Plano Piloto, seguia usando as sessões para cobrar o senador.

Em mensagens a uma agenciadora, Santini combinava uma “festinha igual à do Grand Hyatt” com “meu filho” e outro amigo, pedia sigilo “nessa época de eleição” e solicitava “novidade”. A diária do apartamento citado era de R$ 3 mil.

Flávio escreveu ao ex-sócio pedindo que se afastasse de Fernanda, trocasse de dentista e deixasse Brasília. Admitiu “muitas escolhas erradas” e disse que não erraria mais com a família. Santini respondeu que a mensagem parecia ter sido enviada à pessoa errada e não foi embora.

Fernanda tentou mediar. Santini exigiu que o contato fosse feito apenas entre advogados. Entrou em cena Willer Tomaz, advogado próximo de Flávio, preso em 2017 no desdobramento da delação da JBS e hoje citado nas investigações sobre as fraudes do INSS. O escritório dele procurou os advogados de Santini para negociar a loja, mas o acordo não foi fechado. Em 28 de setembro de 2023, Santini notificou o gabinete cobrando R$ 1,4 milhão e registrou que Flávio teria colocado R$ 200 mil em espécie no negócio. Não houve resposta. Nas redes sociais, o ex-sócio publicou que provas de “crimes na política” levariam alguém à prisão, sem citar o senador.

O material inclui comprovantes, planilhas e notas ligadas a despesas pessoais, apartamentos e salas comerciais. No governo Jair Bolsonaro, amigos do senador operavam em uma casa alugada no Lago Sul, frequentada por quem queria resolver assuntos em ministérios, CVM, Cade e tribunais. Um dos frequentadores foi preso em 2020 sob suspeita de integrar o chamado “QG da Propina” da gestão Crivella. Outro era o advogado Alan Belaciano, que chegou a ser detido por se passar por juiz.

Belaciano pagou equipamentos de academia da casa de Flávio em Brasília, imóvel declarado em R$ 5,9 milhões. Só essa conta passou de R$ 90 mil. Flávio disse que um amigo de longa data havia comprado os aparelhos como “empréstimo pessoal” e classificou as cobranças de Santini como recados de “ex-sócio e ex-amigo” a quem não queria “dar linha”. Mensagens apontam ainda TV de 75 polegadas, consertos na casa e mensalidades de academia de luxo custeados pelo círculo.

Em 10 de fevereiro de 2022, Belaciano comprou um Rolex Submariner Date de ouro branco em uma loja de Brasília. A nota, em nome do advogado, é de R$ 305 mil. Registros e mensagens com Santini indicam que o relógio era para Flávio.

Santini chegou a Brasília após as investigações das rachadinhas, quando promotores o trataram como “laranja de luxo”. Tentou abrir uma empresa de tecnologia, fechou o negócio e conviveu com Fabrício Queiroz e Frederick Wassef. Em 2018, foi de carro com Flávio e Queiroz a Juiz de Fora depois do atentado a Jair Bolsonaro. Em áudios da briga, afirmou que, com o que tinha, poderia “pôr o Flávio na cadeia”.

Com o acordo emperrado, Santini lembrou outro episódio. Disse que Flávio falou diretamente com Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, para intermediar um cliente com processo no gabinete do ministro. O caso seria conduzido por Belaciano. Haveria um jantar depois, com o chefe de gabinete de Kassio. “Você falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo”, escreveu Santini. “Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado.”



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