Um em cada cinco deixa o ensino médio sem diploma no Brasil, diz OCDE

Relatório da OCDE mostra taxa de 20% de não conclusão dois anos após o prazo, acima da média internacional de 12%, com recuo na parcela de jovens adultos sem a etapa
Por: Evelyn Santos 29.set.2026 às 08h34
Um em cada cinco deixa o ensino médio sem diploma no Brasil, diz OCDE

O relatório Educação em Foco 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que 20% dos novos ingressantes no ensino médio brasileiro não concluem a etapa e já não estão matriculados dois anos depois do prazo previsto. Na média dos países analisados, essa parcela é de 12%.

No Brasil, 79% dos alunos que entram nessa fase obtêm o diploma nesse intervalo. A média internacional fica em 85%. Outro 1% dos estudantes brasileiros ainda permanece na escola após o prazo. Os demais 20% saíram sem concluir.

A comparação internacional é desigual. Canadá, Colômbia e Irlanda registram 90% ou mais de conclusão. A Turquia chega a 99%. A Dinamarca, com 75%, fica abaixo do Brasil. Suécia, Áustria, Itália, Portugal e outros países ocupam posições intermediárias. A média da OCDE combina 85% de conclusão, 3% ainda matriculados e 12% fora da escola sem diploma.

Homens abandonam mais do que mulheres. No recorte geral da OCDE, 14% dos rapazes deixam a etapa sem qualificação até dois anos após o tempo previsto; entre as moças, o índice é de 10%. No Brasil, a distância cresce: 23% dos homens saem sem diploma na educação geral, a maior taxa entre os países analisados nessa modalidade. O país e Israel lideram a diferença de gênero no abandono da educação geral, com 8 pontos percentuais. As mulheres têm probabilidade 7 pontos maior de concluir o ensino médio.

Na formação profissional, a OCDE também registra mais evasão masculina: 22% contra 18% entre as mulheres. Na educação geral, as médias são de 9% e 7%, respectivamente.

A organização afirma que o abandono quase nunca resulta de um único episódio. Costuma ser um processo cumulativo, em que fatores pessoais, escolares e sistêmicos se somam. Baixo desempenho, faltas frequentes, pouca motivação, condições socioeconômicas e trajetórias anteriores aparecem como riscos. O ambiente escolar pesa quando o aluno não se sente apoiado. No desenho do sistema, a repetência e a oferta restrita de ensino profissionalizante elevam a chance de saída.

Outro indicador do mesmo relatório mostra avanço entre jovens adultos. Em 2024, 26% dos brasileiros de 25 a 34 anos não haviam concluído o ensino médio. Em 2016, eram 35%. A queda é de 9 pontos percentuais. O dado, porém, usa faixa etária distinta da taxa de conclusão dos novos ingressantes e não permite atribuir a redução diretamente a esse indicador.

O documento traz ainda um conjunto de sinais sobre docentes e estrutura. Em 2024/25, 9% dos professores do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira não estavam totalmente qualificados, patamar próximo aos 9,1% da OCDE. Na pesquisa Talis 2024, 11,5% dos professores do fundamental II no Brasil vieram de outras profissões, ante 8,4% na média internacional.

A satisfação com o trabalho é baixa. Sem contar o salário, 44,3% dos docentes do fundamental II no Brasil disseram estar satisfeitos com as condições, contra 68,4% na OCDE. Com o salário, a aprovação cai para 22,3% no país e 38,7% na média dos países analisados. Em 2022, 10,3% dos professores totalmente qualificados do fundamental e do médio na rede pública deixaram a carreira por aposentadoria ou exoneração.

Entre 2015 e 2024, o número de professores do fundamental I cresceu 4%, enquanto o de alunos nessa etapa recuou 7%. A população de 5 a 14 anos deve cair 3% entre 2024 e 2033, o que pode reduzir a demanda por docentes se outras políticas não mudarem.

Em 2024, 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham ensino superior, frente a 43% na média da OCDE. Entre jovens de 18 a 24 anos, 22% não estudavam, não trabalhavam e não estavam em treinamento; em 2016, eram 27%.

A rede também muda de tamanho. Há 1,65 escola de fundamental I para cada unidade de fundamental II no Brasil, perto da média de 1,97 da OCDE. No fundamental II, o número de alunos cresceu 0,07% ao ano entre 2015 e 2024, enquanto a quantidade de escolas dessa etapa caiu 0,17% ao ano. Um ano após a idade teórica de conclusão do fundamental II, 8% dos estudantes brasileiros estavam fora da educação formal, contra 5% na média internacional; 87% seguiam no ensino médio ou em outro programa formal e 4% repetiam a série.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Da venda da Ebal ao Banco Master, três figuras do poder baiano passam pela mesma história, cada uma em seu compartimento
O conselheiro: Otto Alencar não participou do leilão, mas sua relação com a Ebal vem de antes: presidiu o Conselho de Administração da empresa, cuja atuação também foi examinada pela CPI aberta na Assembleia em 2007
Carregando..