Júlio Casares chega isolado à votação de impeachment no São Paulo

Dirigente esgotou recursos legais e enfrenta julgamento decisivo no Conselho Deliberativo nesta sexta-feira
Por: Evelyn Santos 16.jan.2026 às 09h11
Júlio Casares chega isolado à votação de impeachment no São Paulo
Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
Nesta sexta-feira (16), o São Paulo Futebol Clube vive um momento decisivo em sua história recente. A partir das 18h30 (horário de Brasília), o presidente Júlio Casares será julgado pelo Conselho Deliberativo em um processo de impeachment movido por 57 conselheiros do grupo oposicionista “Salve o Tricolor Paulista”. As acusações incluem gestão temerária, irregularidades financeiras e desvio de recursos.

Casares, que também é advogado, radialista e publicitário com trajetória em emissoras como SBT e Record, optou por resistir até o fim. Aliados próximos chegaram a sugerir renúncia, mas ele preferiu recorrer a todas as estratégias disponíveis para se manter no cargo. Algumas ações trouxeram alívio temporário, como o parecer contrário ao impeachment emitido pelo Conselho Consultivo aprovação por oito dos nove membros, de caráter apenas consultivo e envolvendo figuras tradicionais do clube, como ex-presidentes.

A estratégia mais recente envolveu mudanças nas regras da reunião, promovidas pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Junior (aliado de Casares). O edital original exigia presença exclusivamente presencial e elevava o quórum para afastamento de 70% para 75% dos votos. Essa alteração ocorreu em meio à debandada de apoiadores, com grupos que antes sustentavam a gestão migrando para a oposição.

Atualmente, seis grupos no Conselho são contrários a Casares, que se vê cada vez mais isolado. O rompimento com o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte, peça-chave na eleição do presidente, acelerou essa erosão de apoio. Em tese, a oposição poderia reunir cerca de 187 votos favoráveis ao impeachment insuficiente para os 191 exigidos sob a interpretação de 75%, especialmente com muitos conselheiros em férias.

No entanto, uma liminar da 3ª Vara Cível do Butantã, proferida pela juíza Luciane Cristina Silva Tavares, alterou o cenário. A decisão autorizou o formato híbrido de participação (presencial ou remoto) e fixou em 70% (equivalente a 171 votos, de 254 conselheiros aptos) o percentual necessário para aprovação do afastamento. O quórum de 75% (191 votos) foi mantido apenas para a realização da reunião.

O São Paulo recorreu, alegando prejuízo ao direito de defesa e contraditório de Casares com o voto remoto. A juíza Mônica Rodrigues Dias de Carvalho, da 1ª Câmara de Direito Privado, negou o recurso, preservando a liminar.

A crise se agravou com denúncias que ganharam destaque nacional, inclusive no Fantástico da TV Globo. Um vazamento de áudios revelou suposto esquema de venda irregular de camarote do Morumbi durante shows internacionais, envolvendo a ex-esposa Mara Casares (diretora afastada) e Douglas Schwartzmann. Além disso, a Polícia Civil e o Coaf investigam saques de R$ 11 milhões em espécie das contas do clube e depósitos de R$ 1,5 milhão em favor de Casares. O dirigente afirma que esses depósitos são lícitos e sem relação com os saques, enquanto o clube sustenta que as retiradas foram para despesas rotineiras em benefício exclusivo da instituição.

Fatores esportivos e financeiros também contribuíram para o desgaste: endividamento crescente, desempenho ruim do time em campo (com aumento de lesões), venda de jovens talentos a valores baixos e tentativa frustrada de negociar percentual das categorias de base com investidor externo. Esses elementos minaram a relação com torcedores e conselheiros, especialmente com a eleição prevista para o fim do ano se aproximando.

Casares parece ter esgotado as manobras judiciais. Mesmo se revertesse a liminar, sua permanência seria instável, prolongando a crise e aprofundando o isolamento político. A vitória na votação seria improvável no momento, dada a perda de sustentação. Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos que já se posicionou a favor do afastamento, assumiria interinamente. Em 30 dias, ele convocaria Assembleia Geral de Sócios para ratificar ou não a decisão do Conselho, com maioria simples. Se confirmada, Casares seria banido do clube; em caso de renúncia prévia, poderia preservar posições como no Conselho Consultivo.


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