Na noite de sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube reuniu-se no Morumbis e aprovou o processo de impeachment contra o presidente Julio Casares, com 188 votos favoráveis em um total de 223 conselheiros participantes (presenciais e virtuais). Outros 45 votaram contra e dois em branco.
A decisão decorre de denúncia divulgada em dezembro de 2025 sobre suposto esquema irregular na venda de camarotes do estádio em dias de shows. Entre os envolvidos apontados estão Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos (ex-esposa do presidente).
O que acontece agora
Com a aprovação no Conselho, Julio Casares (64 anos) fica imediatamente afastado da presidência. O vice-presidente Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos, assume interinamente o comando do clube.
O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, tem até 30 dias para convocar a Assembleia Geral dos sócios adimplentes. Nessa instância final, basta maioria simples para ratificar o impeachment em definitivo. Se aprovado, Harry Massis Júnior permanece no cargo até o término do mandato atual, no fim de 2026, quando novas eleições serão realizadas. Caso rejeitado, Casares retorna à presidência.
Perfil do novo presidente interino
Harry Massis Júnior integra o grupo político Vanguarda e foi eleito vice ao lado de Casares nos mandatos de 2021-2023 e reeleito para o período até 2026. Conselheiro vitalício desde 1964 e um dos sócios mais antigos do Tricolor, ele ocupou cargos de liderança no clube, como diretor adjunto de futebol (2001-2002, no título do Torneio Rio-São Paulo) e diretor adjunto administrativo durante os Mundiais de 1992 e 1993.
Fora do esporte, é empresário, dono da rede Hotel Massis e de uma cadeia de garagens e estacionamentos com seu sobrenome.
Em seu primeiro pronunciamento após a votação, Massis afirmou: "Todos sabem que estamos vivendo um momento difícil, existem investigações em andamento e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida". Ele completou: "Não é hora de julgamentos precipitados nem de discurso vazio é hora de trabalho" e "Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim".
Detalhes da acusação
O caso ganhou força com áudios revelados em que Douglas Schwartzmann admite ganhos financeiros no esquema e pressiona uma intermediária, Rita de Cássia Adriana Prado, a retirar ação judicial para evitar exposição de nomes como Mara Casares, Julio Casares e o superintendente Marcio Carlomagno (responsável por autorizar a cessão do camarote).
O foco foi o camarote 3A ("sala presidência"), repassado para exploração no show da Shakira em fevereiro de 2024. Ingressos foram vendidos por até R$ 2,1 mil, com faturamento estimado em R$ 132 mil só nessa apresentação. A intermediária alega que uma empresa reteve 60 ingressos sem autorização total do pagamento (R$ 100 mil de R$ 132 mil combinados), levando a boletim de ocorrência e processo na 3ª Vara Cível de São Paulo.
Mara Casares aparece no áudio pedindo o fim do processo para não prejudicar sua trajetória no clube, afirmando ter planos futuros e ser a mais afetada.
Reação da torcida
A votação ocorreu sob protestos de torcedores no entorno do Morumbis, especialmente da organizada Independente. Faixas com "Fora Casares" e "Renuncia Casares" foram exibidas na Avenida Giovanni Gronchi. Gritos incluíram: “Muito respeito com a camisa tricolor… fora, Casares” e “Casares, quebra meu galho, pega suas coisas e vai pra casa do car****”, em meio a chuva forte na região.

Se confirmado o impeachment, Julio Casares se tornaria o primeiro presidente da história do São Paulo a sofrer destituição por esse mecanismo, após assumir em 2021 e estar no segundo mandato consecutivo.

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