Em evento realizado para apresentar o plano de segurança do clássico Ba-Vi, marcado para este sábado na Arena Fonte Nova pela decisão do Campeonato Baiano, a promotora de Justiça Thelma Leal, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), justificou a permanência da medida de torcida única no confronto.
A decisão foi mantida mesmo após solicitação do Vitória para permitir a presença da torcida visitante. “Após a consulta enviada pelo Vitória, o Ministério Público mantém sua postura de não autorizar a torcida visitante em clássico. Nós não temos ainda nenhum elemento concreto que nos autorize, não temos como garantir ainda a segurança. É um tema complexo e sensível que a gente precisa da colaboração de todos os envolvidos”, disse Thelma Leal, promotora de Justiça do MP.
Ela explicou que o processo de composição envolve diálogo contínuo entre diversas partes, sem prazos fixos definidos. “Para composição a gente não estabelece prazos. O centro de composição é o centro de diálogo para que cada ator possa se manifestar. Nós estamos em curso. Esse procedimento hoje é trabalhado com todos os atores envolvidos nessa situação, desde as pessoas responsáveis pela coleta de lixo, até a Polícia Militar e Polícia Civil, passando por todos os órgãos responsáveis. Esse acordo que está sendo firmado no Ministério Público é um acordo gradativo, que vai por etapas e demora, é um trabalho lento porque precisamos ter segurança, compromisso e comprometimento de todos os órgãos que ali se encontram para garantir a segurança do torcedor que visite a arena do outro”, completou.
O tenente-coronel Flávio Farias, do Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe), também abordou o tema, destacando que a recomendação surge de análises conjuntas com várias instituições. “A recomendação do Ministério Público é tomada a partir de reuniões com outras instituições, Polícia Militar, Polícia Civil, o próprio Ministério Público, a Justiça, baseado em dados estatísticos que revelaram que, em dias de jogos, inclusive Ba-Vi, nos bairros a violência por parte de torcedores ocorria, inclusive com homicídios. Em 2018 ocorreram essas decisões e recomendações e, de lá para cá não houve uma redução dessas ocorrências nos bairros. Tivemos redução, sim, no entorno do estádio e no seu interior, que praticamente não há ocorrência desse porte. Então, para um futuro próximo, por exemplo o jogo de quarta-feira, já fica mais difícil. Essas instituições deverão se debruçar em outras reuniões ainda este ano para reavaliar e ver a possibilidade de retorno de duas torcidas no estádio”, afirmou.
A política de torcida única nos Ba-Vis teve origem após incidentes graves em 2017, com confusão no clássico de 9 de abril. Em 2018, houve uma tentativa de retorno das duas torcidas, mas o jogo terminou com sete expulsões (cinco do Vitória) e problemas dentro e fora do campo. Em 2024, o MP-BA promoveu discussões sobre o tema, mas sem avanços concretos.
Para o duelo deste sábado, a Polícia Militar escalou cerca de 500 agentes, classificando o evento como de alto risco, o que reforça a mobilização reforçada de segurança na Arena Fonte Nova.
Recentemente, torcedores do Vitória entraram com mandado de segurança na Justiça contra a decisão do MP, alegando violação de direitos constitucionais, mas a recomendação segue em vigor até o momento.
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