O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), preparou uma lista de questões para serem feitas ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, durante depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025.
Em anotações pessoais registradas no documento, Toffoli indicou explicitamente que os questionamentos visavam detectar “omissões” e “contradições” na atuação do BC em relação à instituição financeira liquidada em novembro de 2025.
O objetivo principal era esclarecer a data exata em que a diretoria de Fiscalização identificou os primeiros sinais de irregularidades nas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões. Em uma das notas, Toffoli escreveu: “Essa é a pergunta mais importante do processo. Sem data, não existe ‘tempestividade’.
Com data, surgem imediatamente as omissões”. A tempestividade refere-se à observância de prazos legais para atos administrativos, o que afeta sua validade.
Outro ponto focava na suposta demora do BC em detectar as fraudes, com anotação do ministro: “Cria uma contradição lógica incontornável: ou o conceito de tempestividade é esvaziado, ou a fiscalização falhou por anos”. Toffoli também pediu questionamento sobre indícios graves de fraude identificados em fevereiro de 2025, citando nota do BC que afirmava não ter realizado novos exames nas carteiras do Master. Em comentário, registrou: “Aqui aparece a omissão consciente documentada: o BC detecta indícios graves e, ainda assim, interrompe a fiscalização”.
As perguntas não foram integralmente aplicadas pela delegada Janaína Palazzo, da PF, que conduziu a oitiva.
Houve divergências e mal-estar entre a equipe investigativa e o juiz auxiliar do gabinete de Toffoli, Carlos Vieira Von Adamek, presente na audiência.
Apenas duas questões da lista foram feitas, incluindo uma sobre futuras medidas do BC após a liquidação, considerada “vaga e especulativa” pelo advogado da instituição, que contestou a pertinência.
O confronto gerou tensão, com discussões sobre a condução do interrogatório e a separação de papéis entre Judiciário e Polícia Federal.
Toffoli também havia convocado inicialmente Aquino para acareação, mas revogou a decisão após o depoimento, mantendo o confronto entre o banqueiro Daniel Vorcaro (controlador do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB), ambos investigados.
Aquino esperou mais de dez horas para depor e foi proibido de participar por videoconferência, como solicitado pelo BC.
Os vídeos das oitivas e da acareação, inicialmente sigilosos, foram liberados por Toffoli em 29 de janeiro de 2026, após pedido do próprio Banco Central. O gabinete do ministro afirmou que as linhas investigatórias seguem baseadas em elementos de prova colhidos pelos órgãos competentes.
A liquidação do Master ocorreu em novembro de 2025, quando o banco tinha R$ 127 milhões a pagar na semana seguinte e apenas R$ 4 milhões em caixa. Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, alegou no depoimento que o BC não agiu com celeridade e que “forças internas” do órgão e do mercado contribuíram para o desfecho. O caso envolve suspeitas de fraude bilionária em carteiras de crédito, com investigações da PF e análise no STF.
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