Teto de R$ 46,3 mil é insuportável para carreiras públicas, afirma líder sindical

Presidente do Sindilegis defende reajuste do limite remuneratório e exclusão de funções de confiança do teto constitucional.
Por: Brado Jornal 27.mar.2026 às 10h00
Teto de R$ 46,3 mil é insuportável para carreiras públicas, afirma líder sindical
Divulgação / Sindilegis
O presidente do Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), Alison Souza, declarou que o teto salarial do serviço público, fixado atualmente em R$ 46,3 mil, tornou-se insustentável para as carreiras do funcionalismo. Segundo ele, o valor não atrai mais profissionais qualificados e precisa de correção urgente.

Durante reunião virtual com servidores filiados ao sindicato, realizada na terça-feira (24), Alison Souza defendeu abertamente que o teto constitucional não suporta mais a falta de reajuste pela inflação acumulada. Ele propôs ainda que as funções de confiança e comissionadas sejam retiradas do limite remuneratório, embora continuem sendo consideradas como remuneração.

“As funções de confiança deveriam ficar fora do teto, mesmo sendo verbas remuneratórias”, explicou o dirigente. A distinção é importante porque verbas indenizatórias não incidem Imposto de Renda.

Alison Souza levou essas demandas ao grupo de trabalho do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute o teto constitucional e os chamados penduricalhos. Na quarta-feira (25), o STF definiu regras mais restritivas para esses pagamentos adicionais a magistrados e membros do Ministério Público, limitando-os a no máximo 35% do teto atual.

Para o presidente do Sindilegis, se o teto tivesse sido corrigido pela inflação ao longo dos anos, não haveria tantas reclamações. “Não fomos nós que chegamos ao teto. Foi o teto que chegou até nós”, afirmou em entrevista.

Ele argumenta que a política remuneratória do Estado deve garantir a recomposição inflacionária, direito básico de qualquer trabalhador. “É o que todos os brasileiros querem, inclusive aqueles que recebem o teto”, completou.

Alison Souza destacou ainda a perda de atratividade dos salários no Legislativo federal. Entre 2016 e 2025, a inflação acumulada pelo IPCA chegou a cerca de 64%, enquanto o reajuste concedido aos servidores do Legislativo foi de apenas 44%. Isso representa uma defasagem de aproximadamente 20% em uma década.

“Não estamos falando de aumento extraordinário, mas apenas de manter o poder de compra”, explicou.

O dirigente justificou que os servidores do Legislativo lidam com temas complexos, como elaboração de leis que afetam o setor produtivo, a indústria, o agronegócio e os serviços. “Não se trata de atendentes atrás de um balcão. É um trabalho de alto nível técnico e intelectual”, disse.

Comparando com o mercado privado, Alison afirmou que qualquer advogado mediano já ganha mais de R$ 40 mil por mês. “Se pegar uma causa complexa, o valor sobe para milhões”, acrescentou, sem intenção de desmerecer servidores que atuam no atendimento direto ao público.

Outra justificativa apresentada pelo líder sindical é a necessidade de salários elevados para reduzir riscos de corrupção. Ele citou o exemplo de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) que fiscalizam grandes empresas, como a Petrobras. “Um profissional bem remunerado fica menos vulnerável a ofertas indevidas e acordos por fora. Salários baixos representam um atraso para o país”, ponderou.

As declarações reforçam o debate sobre a remuneração no serviço público brasileiro, especialmente em cargos que exigem alta qualificação e responsabilidade. O posicionamento do Sindilegis ganha relevância após a decisão recente do STF sobre penduricalhos e em meio a discussões sobre reajustes salariais no funcionalismo.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
EUA aceleram envio de quase 8 mil fuzileiros navais e marinheiros para o Oriente Médio
Grupos anfíbios USS Boxer e USS Tripoli reforçam presença militar americana na região
Desembargador diz que ninguém mais quer trabalhar ao julgar pensão de vítima de violência
Magistrado da Bahia contestou aumento de pensão alimentícia temporária para mulher agredida pelo ex-marido e gerou polêmica
Ex-funcionário de indústria de autopeças recebe indenização por assédio moral após apelidos ofensivos no trabalho
Trabalhador de Sete Lagoas (MG) processou empresa após ser chamado repetidamente de “bumbum guloso” por colegas, com comentários de teor sexual.
STF barra prorrogação da CPMI do INSS e determina encerramento da investigação
Por 6 a 2, plenário decide que prorrogação é ato político do presidente do Congresso; comissão investigava fraudes em consignados e deve encerrar atividades em 28 de março
Absurdo: ALBA contrata R$ 676 mil anuais para locação de TVs, totens e painéis LED; contratos com empresa de limpeza e valores acima do mercado geram questionamentos
Pesquisa realizada em cotações públicas e sites especializados de locação audiovisual no Brasil revela que os valores estimados pela ALBA estão significativamente acima da média praticada no mercado para locações de equipamentos semelhantes
Bruno Reis sanciona lei que proíbe materiais sobre identidade de gênero para crianças em Salvador
Prefeito de Salvador aprova norma que restringe divulgação de conteúdos relacionados a transição de gênero em escolas e unidades de saúde municipais.
Carregando..