O empresário Elon Musk protocolou na sexta-feira (16) um documento judicial em que solicita indenização entre US$ 79 bilhões e US$ 134 bilhões (equivalente a cerca de R$ 425 bilhões a R$ 721 bilhões na cotação atual) da OpenAI e da Microsoft. A reivindicação baseia-se na acusação de que as empresas obtiveram “ganhos indevidos” a partir do apoio inicial que ele forneceu à OpenAI, startup de inteligência artificial que ajudou a fundar em 2015.
De acordo com o processo, Musk contribuiu com aproximadamente US$ 38 milhões (cerca de R$ 204 milhões), o equivalente a 60% do financiamento inicial, além de recrutar funcionários, conectar fundadores a contatos estratégicos e emprestar sua reputação para dar credibilidade ao projeto. Um especialista econômico contratado por ele, o professor C. Paul Wazzan, calculou que a OpenAI lucrou entre US$ 65,5 bilhões e US$ 109,4 bilhões com essas contribuições, enquanto a Microsoft, parceira estratégica da empresa, obteve entre US$ 13,3 bilhões e US$ 25,1 bilhões.
Musk argumenta que a OpenAI violou sua missão original de atuar como organização sem fins lucrativos voltada ao benefício da humanidade ao se reestruturar para um modelo com fins lucrativos, especialmente após o lançamento do ChatGPT e o fortalecimento da aliança com a Microsoft. Ele compara sua posição à de um investidor inicial em uma startup que vê retornos multiplicados, afirmando ter direito à restituição desses lucros “ilícitos”.
O caso tramita na Justiça federal em Oakland, na Califórnia. Um juiz decidiu recentemente que o processo irá a julgamento por júri, com início previsto para o final de abril de 2026. Musk pode pleitear danos punitivos adicionais e outras penalidades, incluindo possíveis liminares, caso o júri considere as empresas culpadas.
A OpenAI classificou a ação como “sem fundamento” e parte de uma “campanha de assédio” promovida por Musk, que hoje compete diretamente no setor de IA por meio da xAI, desenvolvedora do chatbot Grok. A Microsoft, por sua vez, negou qualquer conduta de “auxílio e instigação” à OpenAI e contestou os cálculos de danos, afirmando que a análise do especialista de Musk é “inventada”, “inverificável” e “sem precedentes”. As duas empresas pediram ao juiz que limite ou exclua a apresentação dessa testemunha ao júri, alegando risco de indução ao erro.
A disputa remonta a 2018, quando Musk deixou o conselho da OpenAI alegando conflitos de interesse com suas outras empresas. Desde então, ele tem criticado publicamente a guinada comercial da organização, especialmente após investimentos bilionários da Microsoft e a ascensão do ChatGPT. Em petições anteriores, a OpenAI e a Microsoft já haviam tentado barrar o julgamento, sem sucesso.
As partes envolvidas não comentaram imediatamente a nova petição fora do horário comercial nos EUA. O processo continua a destacar a rivalidade no mercado de inteligência artificial generativa, onde Musk posiciona sua xAI como alternativa “mais ética” à OpenAI. O julgamento deve trazer à tona mais documentos internos e depoimentos que podem impactar a percepção pública sobre a transição da OpenAI de nonprofit para empresa lucrativa.
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