No dia em que foi capturado pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, enviou uma mensagem pelo WhatsApp ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A comunicação ocorreu às 7h19 do dia 17 de novembro de 2025, conforme registros encontrados no celular do empresário durante perícia da PF.
Na mensagem, Vorcaro escreveu: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. O ministro respondeu em seguida, mas o conteúdo das réplicas subsequentes não pôde ser recuperado, pois se tratava de mensagens configuradas para visualização única, que se apagam automaticamente após leitura.
O contato ocorreu em meio a tentativas desesperadas de Vorcaro para evitar consequências judiciais. Naquele mesmo dia, o Banco Master apresentou petição à 10ª Vara Federal de Brasília, às 15h47, opondo-se a possíveis medidas cautelares que pudessem gerar “prejuízo irreversível”. A petição foi protocolada após a decisão do juiz Ricardo Leite, às 15h29, que determinou a prisão preventiva em inquérito sigiloso.
Vorcaro foi detido à noite, por volta das 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em jato particular rumo a Dubai, com escala em Malta. Ele já tinha conhecimento prévio do inquérito que investigava fraudes na venda de carteiras de crédito do banco ao BRB (Banco de Brasília), graças a acessos ilegais a sistemas da PF e do Ministério Público Federal.
Além da mensagem matinal, os investigadores identificaram outra troca entre Vorcaro e Moraes em 1º de outubro de 2025, também com conteúdos não preservados por uso de visualização única. A PF ainda localizou registros de ligações telefônicas entre os dois.
No contexto da Operação Compliance Zero, que apura crimes como emissão de títulos fraudulentos, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça, Vorcaro anunciou, às 17h24 do mesmo dia, a suposta venda do Banco Master ao grupo Fictor, ligado a investidores árabes, por R$ 3 bilhões. A transação visava injetar capital após veto anterior à operação com o BRB e esgotamento de garantias do Fundo Garantidor de Crédito.
A assessoria de Alexandre de Moraes negou veementemente a existência das mensagens, afirmando por meio do STF: “O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”. A defesa de Vorcaro optou por não se manifestar sobre o assunto.
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