O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, afirmou à Procuradoria-Geral da República, em proposta de delação premiada, que possui vídeos de entregas de malas de dinheiro a emissários definidos por Daniel Vorcaro. No relato, citou um ex-ministro de Jair Bolsonaro como um dos receptores. O nome do ex-ministro não foi divulgado publicamente no material já tornado conhecido.
Freixo Júnior descreveu ter sido responsável por “gerar” dinheiro em espécie para Vorcaro, então controlador do Banco Master. Segundo o empresário, os pedidos partiam inicialmente do próprio Vorcaro e, depois, de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. Os valores eram colocados em malas com quantias entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão e entregues a Zettel ou a motoristas ligados a eles. Ele disse ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025.
Como elementos de corroboração, o empresário entregou recibos das malas compradas para armazenar o dinheiro e registrou a existência de imagens de câmeras internas da empresa que captaram a movimentação das malas e a identificação de motoristas que as retiravam. Freixo Júnior afirmou que os valores eram solicitados provavelmente para pagamento de comissões e vantagens indevidas e que, após as entregas, não sabia o destino final do dinheiro.
A Entre Investimentos também aparece nas apurações como intermediária de remessas ao fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. Os recursos teriam sido destinados, segundo a justificativa das operações, à produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os pagamentos foram feitos a pedido de Vorcaro, após solicitação do senador Flávio Bolsonaro.
O acordo de colaboração foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a quem cabe decidir sobre a homologação. Está prevista audiência para ouvir o empresário sobre a voluntariedade da delação. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central. Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e outros crimes. O ex-banqueiro tentou apresentar delação premiada em ocasiões anteriores, sem êxito.
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