Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio foi propina com Kassab

Ex-banqueiro afirma em proposta de delação que R$ 5 milhões de 2022 teriam sido contrapartida para manter o Credcesta em São Paulo
Por: Brado Redação 03.set.2026 às 17h50
Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio foi propina com Kassab
Fotos: Reprodução, EVARISTO SA/AFP, Pablo Jacob/Governo de São Paulo e Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo o UOL, Daniel Vorcaro relata em proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022 teria nascido de um acerto de propina.

Naquele pleito, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e alvo da operação Compliance Zero, doou R$ 2 milhões a Tarcísio e R$ 3 milhões a Bolsonaro. O ex-banqueiro classifica os valores como “contrapartidas financeiras” depois de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”. O portal teve acesso ao anexo da colaboração que trata do assunto.

O Credcesta é um cartão consignado para servidores operado pela PKL One Participações, empresa ligada ao Master e a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Em março de 2022, o governo João Doria autorizou companhias como a PKL a oferecer o crédito a servidores civis e militares, da ativa e inativos. Em julho, já sob Rodrigo Garcia, o produto entrou em operação e virou um dos principais negócios do grupo.

Na delação, Vorcaro afirma que, com a eleição de 2022 e a chance de vitória de Tarcísio, Augusto Lima, responsável por expandir o Credcesta, tentou assegurar a continuidade do serviço no Estado. Lima cuidava da operação dentro do banco e, segundo o relato, se aproximou de Kassab, então apoiador da campanha e depois secretário de Governo.

Vorcaro diz ter sido informado por Lima do acerto com Kassab (PSD), hoje candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado. O Credcesta, aponta o texto, era o principal ativo do Master, e manter ou ampliar o produto em novos governos exigiria vantagens a políticos e operadores locais.

O acordo, segundo ele, previa 5% do resultado líquido da operação em São Paulo e contribuições a campanhas do PSD e de partidos ligados a Kassab. A doação eleitoral sairia primeiro em dinheiro, mas interlocutores teriam dito a Lima que partidos parceiros só aceitariam aportes oficiais.

Vorcaro lista então as contrapartidas pela continuidade do programa: doação formal de R$ 5 milhões (R$ 2 milhões a Tarcísio e R$ 3 milhões a Bolsonaro) e cerca de R$ 10 milhões em caixa dois, em espécie, a interpostas de Kassab, entregues por Thiago Botelho, o Papel, com destino alegado às campanhas do PSD.

Para as doações oficiais, o ex-banqueiro diz ter acionado Zettel a pedido de Lima, que não poderia doar a adversários por sua proximidade com o PT. Afirma que o cunhado desconhecia o motivo real, mas aceitou usar recursos de negócios em sociedade por afinidade ideológica com os candidatos.

Ainda segundo o relato, o aporte formal e o caixa dois teriam sido feitos, e o Credcesta permaneceu no governo paulista por mais de um ano. Só em 9 de dezembro de 2024 Tarcísio editou o Decreto 69.126/2024, abrindo o consignado a outras instituições. Em fevereiro deste ano, o credenciamento da PKL foi suspenso após o escândalo do Master.

Tarcísio afirmou, em nota, que “nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado”. Disse que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a lei, teve contas aprovadas e que o credenciamento da PKL ocorreu em maio de 2022, na gestão anterior, sem contrato nem repasse público.

Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e sem “qualquer sustentação factual”. Admitiu conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter tratado de doações, do Credcesta ou de valores em espécie com Vorcaro, Lima ou Botelho.

A defesa de Augusto Lima não comentou e chamou as informações de “absurdas”.

O trecho permaneceu nas três versões da delação apresentadas às autoridades. Polícia Federal e PGR recusaram os acordos por falta de ineditismo e de elementos de corroboração. Na última semana, Vorcaro pediu para depor ao gabinete de André Mendonça, relator da Compliance Zero no STF, e reiterou o interesse em colaborar. A PGR voltou a negar, alegando ausência de fatos novos.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Justiça dos EUA acrescenta tortura às acusações contra Nicolás Maduro
A nova denúncia, em Manhattan, também atinge Cilia Flores e se soma ao tráfico de drogas. O casal se declarou inocente. O julgamento está marcado para 1º de junho de 2027
Jerônimo diz, em Jaguaquara, que prioridade será das cidades cujos prefeitos o apoiaram
Fala ocorreu em visita na quarta-feira (7), após questionamento sobre Jequié; registro circula um dia depois da confirmação da reeleição
Moraes manda começar a pena de Eduardo Bolsonaro e cancelar os passaportes
A condenação a 4 anos e 2 meses, em regime semiaberto, transitou em julgado em 3 de outubro. O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde 2025
Apoio de Belle Daltro a Lula provoca confronto entre influenciadores baianos
Baiana foi alvo de críticas em Miami depois de atacar eleitores de Flávio Bolsonaro; irmão denuncia perseguição, enquanto contratos federais e estaduais com criadores de conteúdo voltam à discussão
Jorge Oliveira é o nome favorito de Flávio para a primeira vaga no STF
Integrantes da cúpula da campanha apontam o ministro do TCU, de confiança dos Bolsonaro. Ele já tinha recusado a indicação de Jair em 2020, e a vaga ficou com Nunes Marques
Flávio quer fim da reeleição e mandato de até 5 anos já no próprio governo
O candidato do PL diz que a regra não pode valer só para o futuro. Quatro ou cinco anos, e se alcança governador e prefeito, caberia ao Congresso. Afirma que não disputaria 2030
Carregando..