PF mira financiamento de recrutamento de brasileiros para atuação junto ao Hezbollah

São cumpridos um mandado de prisão preventiva e oito de busca e apreensão no DF, SP e MG
Por: Brado Jornal 08.ago.2024 às 10h28
PF mira financiamento de recrutamento de brasileiros para atuação junto ao Hezbollah
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (8) um mandado de prisão e oito de busca e apreensão com o objetivo de buscar provas do financiamento dos atos de terrorismo investigados na Operação Trapiche, deflagrada em novembro do ano passado. Os brasileiros eram recrutados para fazer entrevistas por uma espécie de agência clandestina.

Os mandados são cumpridos nas cidades de Belo Horizonte, Uberlândia (MG), Contagem (MG), São Paulo (SP) e Brasília (DF). A Justiça Federal determinou também o sequestro de valores e bloqueios de contas bancárias, bem como a suspensão da atividade econômica de empresas.

Nesta fase da investigação, denominada Operação Trapiche-FT, foi descoberto que o principal investigado, aproveitando-se da situação de vulnerabilidade de imigrantes e refugiados, utilizou seus dados pessoais para abrir contas bancárias e empresas por onde circularam recursos de origem ilícita.

As evidências reunidas no inquérito policial indicam que passagens aéreas utilizadas pelos brasileiros recrutados para viajarem ao exterior, onde foram entrevistados a fim de serem selecionados pelo Hezbollah, foram financiadas com dinheiro do comércio ilícito de cigarros eletrônicos contrabandeados e vendidos em lojas de tabacarias no Brasil.

Segundo a PF, verificou-se também que parte dos recursos com origem do contrabando foi destinada a contas bancárias de empresas de fachada que fazem parte do bilionário esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro descoberto pela Operação Colossus, também deflagrada pela Polícia Federal.

Após uma sucessão de transferências entre contas de empresas de fachada, os recursos ilícitos foram convertidos em criptoativos e destinados a carteiras sancionadas por apresentarem vínculos com organizações terroristas.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de contrabando, integração de organização terrorista, atos preparatórios de terrorismo, financiamento ao terrorismo e lavagem de dinheiro, cujas penas máximas, se somadas, chegam a 75 anos e 6 meses de reclusão.



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