Polêmica em declaração de ministro sobre Bolsa Família e emprego formal

Lapso em discurso gera mal-entendidos durante evento em Minas Gerais
Por: Brado Jornal 31.out.2025 às 11h37
Polêmica em declaração de ministro sobre Bolsa Família e emprego formal
Reprodução/Instagram
Em um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), pareceu sugerir a substituição da Carteira de Trabalho pelo cartão do Bolsa Família durante um evento em Montes Claros (MG). A declaração, feita ao lado do prefeito de Salinas, Kinca Dias (PDT), ocorreu na segunda-feira (27), logo após o lançamento do programa federal Acredita no Primeiro Passo, iniciativa de microcrédito para inclusão produtiva de famílias em vulnerabilidade.

O diálogo capturado mostra Kinca Dias afirmando: "queremos cada vez mais, como foi dito pelo nosso ministro, que nós possamos, no futuro, trocar a Carteira de Trabalho" e o ministro complementando: "Pelo cartão do Bolsa Família, porque saiu da pobreza." O prefeito então conclui: "Esse é o nosso objetivo."A frase, no entanto, foi esclarecida como um "lapso" pela assessoria de Wellington Dias, que destacou ser um "mantra" recorrente em sua gestão a ideia oposta: promover a troca do cartão do Bolsa Família pela Carteira de Trabalho, como forma de inclusão socioeconômica e saída da pobreza por meio de emprego formal ou empreendedorismo. "É conhecida a frase que o ministro repete em diversos eventos públicos e está registrada em inúmeras reportagens em diferentes veículos de imprensa e no próprio portal do MDS. Wellington Dias tem um mantra para a inclusão socioeconômica: 'trocar o cartão do Bolsa Família pela carteira de trabalho'", informou a equipe do ministro.

Em resposta à CNN Brasil, a pasta reforçou que o foco é valorizar o trabalho, com ações como o Acredita no Primeiro Passo, que já liberou mais de R$ 726 milhões em microcréditos, beneficiando 87 mil operações e impulsionando a criação de 253 mil vagas formais para inscritos no Cadastro Único entre janeiro e fevereiro deste ano quase 60% dos novos empregos com carteira assinada no período. Além disso, o Bolsa Família foi ajustado para manter o apoio a beneficiários que conseguem emprego temporário: quem atinge renda acima do limite, mas abaixo de R$ 706 per capita (faixa de pobreza), recebe 50% do benefício por até 24 meses, atuando como "colchão de segurança" para qualificação e estabilidade. "Assinar a carteira de trabalho não é motivo para cancelar o benefício", enfatizou Dias em entrevista recente ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, destacando que cerca de 4 milhões de famílias ou 10 milhões de brasileiros conciliam salário e Bolsa Família, enquanto outros 3 milhões recebem a versão reduzida ao empreender.

O prefeito Kinca Dias também se manifestou em vídeo nas redes sociais, atribuindo o episódio a uma "dupla interpretação" de sua fala, "por parte de alguns por simples maldade, e de outros por má compreensão". Ele explicou: "No momento, quando eu disse que o nosso objetivo, que o objetivo do nosso presidente, é que a população troque a Carteira de Trabalho pelo cartão do Bolsa Família, é que o presidente quer que a população cada vez mais consiga emprego e não dependa mais do cartão Bolsa Família".

Em outro registro, postado pelo próprio ministro em sua conta no X (antigo Twitter), Dias reitera a mensagem correta: "Trocar o cartão do Bolsa Família pela Carteira de Trabalho! Essa é a mensagem e, mais do que isso, a realidade que estamos construindo no Brasil." O vídeo, de mais de 50 segundos, mostra o ministro em eventos anteriores repetindo o "mantra" e elogiando a geração de renda por trabalho como motor para o crescimento econômico, afirmando que "são milhões de pessoas que antes não tinham dinheiro nem para comer, agora têm renda de trabalho, garantindo a condição do nosso país não só sair da pobreza, mas também ter crescimento econômico".

A repercussão dividiu opiniões: opositores, como o deputado federal Zucco (Novo-RS), criticaram a declaração inicial como sinal de "governo incompetente", enquanto apoiadores veem no episódio uma inversão maliciosa de uma política de inclusão. O caso reforça debates sobre o equilíbrio entre assistência social e geração de empregos, com o programa Acredita no Primeiro Passo sendo citado como exemplo de transição para autonomia, ao oferecer crédito acessível a quem busca negócio próprio.



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