Uma sondagem realizada pelo instituto Quaest e encomendada pela Genial Investimentos, divulgada em 15 de janeiro de 2026, indica que 46% dos brasileiros aprovam a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Já 39% manifestaram desaprovação, enquanto 15% afirmaram não saber ou não responderam.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A maioria dos entrevistados (76%) declarou ter conhecimento do episódio, contra 24% que afirmaram desconhecer a notícia.
Divisão por posicionamento político
Os resultados variam significativamente conforme a autodeclaração ideológica:
Entre lulistas: 19% aprovam, 62% desaprovam e 19% não sabem ou não responderam.
Esquerda não lulista: 30% aprovam, 65% desaprovam e 5% não sabem ou não responderam.
Independentes: 44% aprovam, 35% desaprovam e 21% não sabem ou não responderam.
Direita não bolsonarista: 74% aprovam, 18% desaprovam e 8% não sabem ou não responderam.
Bolsonaristas: 71% aprovam, 21% desaprovam e 8% não sabem ou não responderam.
Motivações percebidas para a captura
Questionados sobre o principal motivo da ação ordenada pelo presidente Donald Trump, os respondentes apontaram:
Combater o narcotráfico: 31%
Restaurar a democracia: 23%
Controlar o petróleo venezuelano: 21%
Reduzir a influência da China: 4%
Combinação de todas as anteriores: 6%
Nenhuma das razões listadas é verdadeira: 2%
Não sabe ou não respondeu: 13%
Aceitabilidade de interferência internacional
Metade dos brasileiros (50%) considera aceitável que um país interfira em outro para prender um ditador, ante 41% que veem a prática como inaceitável (9% não souberam ou não responderam). O apoio é maior entre direita não bolsonarista (75%) e bolsonaristas (73%).
Contexto da operação e desdobramentos na Venezuela
No dia 3 de janeiro de 2026, forças americanas bombardearam alvos em Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. Maduro foi transferido para Nova York, onde enfrenta julgamento por supostas ligações com o narcotráfico, incluindo acusações relacionadas ao Cartel de los Soles, designado como organização terrorista pelos EUA.
Atualmente, a vice-presidente Delcy Rodríguez assume o comando interino e negociou, sob pressão americana, a abertura do mercado petrolífero venezuelano a empresas dos Estados Unidos. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo. A permanência de elementos do regime chavista após a deposição de Maduro gerou frustração na oposição, especialmente porque Trump descartou a possibilidade de Maria Corina Machado líder opositora e ganhadora do Nobel da Paz em 2025 assumir o poder.
Repercussões no Brasil
A pesquisa também destaca que 58% dos brasileiros temem que uma ação semelhante possa ocorrer no Brasil, contra 40% que não temem (2% não souberam ou não responderam). O receio é maior entre lulistas (74%) do que entre bolsonaristas (57%).O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a operação, classificando-a como "afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para a comunidade internacional".
Para 51% dos entrevistados, essa posição foi errada; 37% a consideraram correta. Contudo, 71% afirmam que o posicionamento de Lula não influencia sua escolha eleitoral em 2026, enquanto 17% dizem que os leva a preferir a oposição e 7% reforçam apoio ao atual governo. A maioria (66%) defende que o Brasil adote neutralidade no conflito.
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