Peritos da Polícia Federal acessam dados completos de celulares desligados e sem senha, gerando temor em Brasília

Tecnologia exclusiva da PF permite extração integral de conteúdo usando gaiola de Faraday, o que assusta alvos da operação do Banco Master
Por: Brado Jornal 16.jan.2026 às 22h22
Peritos da Polícia Federal acessam dados completos de celulares desligados e sem senha, gerando temor em Brasília
Divulgação / Banco Master
A Polícia Federal (PF) possui uma capacidade técnica única no país para extrair todos os dados de smartphones mesmo quando os aparelhos estão desligados e protegidos por senha. Diferentemente de outras corporações policiais, que conseguem apenas desbloquear telas de dispositivos ligados, a perícia federal supera barreiras avançadas e realiza a cópia completa do conteúdo, incluindo mensagens, imagens, e-mails e arquivos antigos, independentemente de sua ligação direta com as investigações.

Para executar o procedimento de forma segura, os especialistas empregam a "Gaiola de Faraday", uma estrutura metálica, como caixas ou bolsas especiais, que bloqueia completamente sinais eletromagnéticos. Esse isolamento impede que o celular se conecte a redes Wi-Fi ou móveis ao ser manipulado ou ligado, evitando assim a possibilidade de apagamento remoto de informações por quem controla a conta.

O motivo da apreensão generalizada na capital federal está diretamente ligado aos celulares apreendidos na operação envolvendo o Banco Master. Os aparelhos pertencem a figuras de grande influência, como o banqueiro Daniel Vorcaro (dono da instituição), seu cunhado e o investidor Nelson Tanure, pessoas com amplas conexões no meio político e empresarial. A extração total dos dados expõe um vasto material pessoal e profissional, o que explica o "pânico" relatado em Brasília.

A tecnologia da PF não admite acesso parcial: ou tudo é copiado para análise posterior, ou nada é obtido. Esse fator amplifica as preocupações, pois conversas e registros irrelevantes ao inquérito também ficam disponíveis aos investigadores. O caso se conecta à segunda fase da operação Compliance Zero, com decisões recentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que limitou o acesso aos aparelhos a apenas quatro peritos designados por ele, sem consulta prévia à direção da PF, e reduziu o prazo para depoimentos de investigados de seis para dois dias.

Essas medidas geraram desconforto na corporação, interpretadas por alguns como sinal de desconfiança institucional, apesar da competência reconhecida dos profissionais indicados. O tema reforça debates sobre privacidade, integridade de provas e o alcance das investigações em casos de alto perfil no cenário brasileiro.


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