O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente estadual do partido, manifestou forte oposição à estratégia do PT de formar uma chapa majoritária exclusivamente com nomes petistas para as eleições de 2026 na Bahia. Ele classificou esse tipo de composição como "puro-sangue" e alertou que ela tende a gerar desgaste e dificuldades nas urnas, citando o exemplo histórico de 2006, quando uma chapa oposicionista semelhante foi derrotada por Jaques Wagner (PT), abrindo caminho para a vitória petista no governo do estado.
O conflito se intensificou após o PT propor ao PSD a suplência no Senado para o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) e a vice na chapa de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para o deputado federal Diego Coronel (PSD-BA), filho de Ângelo. Otto Alencar recusou veementemente a oferta, afirmando que ela "fere o amor próprio" de Coronel e que o partido não aceitará rebaixar um senador titular para suplente. Ele reforçou que o PSD pretende manter a aliança com o PT, mas exige respeito à participação em cargos majoritários.
A composição defendida por petistas inclui Jerônimo Rodrigues concorrendo à reeleição ao governo, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Jaques Wagner disputando as duas vagas ao Senado, uma "super chapa" com três ex-governadores do partido. Essa exclusão de aliados históricos, como PSD e MDB, tem gerado tensões na base governista, que administra o estado há quase duas décadas em meio a críticas sobre violência e letalidade policial.
Para tentar resolver o impasse e evitar ruptura na coligação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será acionado para mediar as negociações entre PT e PSD. Como líder nacional do partido e figura central na articulação política, Lula é visto como essencial para encontrar um acordo que preserve a unidade da base na Bahia, estado estratégico para o PT.
Após repercussão da declaração de Otto Alencar, que inicialmente foi interpretada como uso do termo "carniça" para descrever a chapa petista, o senador esclareceu que se referiu a "carlista" (em alusão a chapas antigas ligadas ao carlismo político baiano) e negou qualquer intenção pejorativa direta contra o PT. Ele reiterou que sua crítica é analítica, baseada em lições históricas de que chapas sem amplas alianças costumam enfrentar resistências eleitorais.
O episódio reflete as disputas precoces pela configuração das chapas majoritárias em 2026, com o PT buscando consolidar seu domínio interno enquanto aliados cobram espaço proporcional ao apoio dado nas gestões anteriores. O PSD, principal parceiro do grupo, insiste em manter Ângelo Coronel como candidato titular ao Senado, rejeitando posições secundárias.
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