Relatório da CPI pede indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar

Senador Alessandro Vieira acusa ministros do STF e procurador-geral de irregularidades em documento final
Por: Brado Redação 14.abr.2026 às 17h12
Relatório da CPI pede indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), recomenda o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet. A votação do texto está prevista para a tarde de hoje, encerrando os trabalhos da comissão.

Segundo o relator, a CPI sofreu limitações severas de recursos, intensificadas por obstáculos políticos e institucionais que cresceram à medida que as apurações envolviam altas figuras do poder. Diante disso, Vieira concentrou as conclusões em fatos que escapam aos instrumentos habituais de investigação e que podem caracterizar crime de responsabilidade.

O senador solicita que os ministros citados se declarem impedidos de participar do julgamento do caso Banco Master no Supremo. Ele aponta os seguintes descumprimentos da lei:

Para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes: terem atuado em processos nos quais eram suspeitos por lei e agido de maneira incompatível com a honra, a dignidade e o decoro do cargo.

Para Gilmar Mendes: ter proferido decisão apesar de estar impedido legalmente.

Para Paulo Gonet: ter sido manifestamente omisso no cumprimento de suas funções, conduta também considerada incompatível com a dignidade do cargo.

O episódio envolvendo o Banco Master é tratado como um dos eixos principais do relatório. Vieira reconhece a alta complexidade do tema e a escassez de meios à disposição da CPI, por isso informa que os fatos apurados serão encaminhados para uma nova comissão parlamentar específica e já são objeto de investigações pela Polícia Federal.

O documento ainda traça um quadro preocupante do avanço do crime organizado no país. Segundo o relatório, cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem em regiões controladas por facções criminosas. O texto identifica a combinação entre violência e crimes financeiros como fator chave para o fortalecimento dessas organizações.

Como propostas concretas, o parecer sugere um pacote de medidas legislativas, incluindo maior facilidade para bloqueio de ativos, elevação das penas por lavagem de dinheiro, transparência sobre beneficiários finais de empresas, regulamentação do lobby e a criação de um Ministério da Segurança Pública.

O relatório tem mais de 200 páginas e consolida 120 dias de trabalho da comissão, com 18 reuniões realizadas, 312 requerimentos apresentados e 134 documentos analisados. O foco principal foi examinar a estrutura, a atuação e a expansão do crime organizado em todo o Brasil.



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