Mensagens revelam propina em imóveis entre Vorcaro e ex-presidente do BRB

Conversas trocadas por WhatsApp mostram combinação de pagamento de R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo para facilitar negócios irregulares entre Banco Master e BRB.
Por: Brado Redação 16.abr.2026 às 17h33
Mensagens revelam propina em imóveis entre Vorcaro e ex-presidente do BRB
Foto: Divulgação/BRB

Trocas de mensagens entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, indicam a negociação de propina por meio da transferência de imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões. As conversas foram obtidas pela Polícia Federal após a apreensão dos celulares dos envolvidos e ajudaram a embasar a prisão de Costa nesta quinta-feira (16), na quarta fase da Operação Compliance Zero.

As investigações apontam que Paulo Henrique Costa atuava como principal interlocutor de Vorcaro dentro do banco público. As tratativas ocorreram no período em que o BRB adquiria carteiras de crédito consideradas irregulares do Master, com valores estimados em R$ 12,2 bilhões.

Em uma das primeiras mensagens, Costa agradece a conversa com Vorcaro e demonstra entusiasmo com o projeto conjunto. Ele menciona o alinhamento pessoal e profissional, fala sobre preparar material para o governador e pede que o contrato seja enviado. Em seguida, revela planos de viagem a São Paulo com a esposa e sugere mostrar um apartamento a ela para que se acostume com a mudança.

Vorcaro responde de forma positiva e se compromete a alinhar detalhes com sua equipe, indicando uma pessoa para apresentar o imóvel.

Em outro diálogo, Costa relata ter visitado outro apartamento pela manhã, mas diz que a esposa ainda estava reticente. Ele pede para ver mais opções para ter uma referência melhor. Vorcaro questiona o motivo e Costa explica que o empreendimento estava com a região fechada. A conversa avança para a descrição de uma cobertura e a possibilidade de trazer a família.

As mensagens também mostram Vorcaro cobrando agilidade em assuntos relacionados a carteiras de crédito, enquanto Costa afirma estar focado na agenda combinada e montando estrutura com a equipe.

Em determinado momento, Costa cobra o andamento da transação dos imóveis em São Paulo. Vorcaro responde que deu carta branca de seu lado e pergunta onde está travado. Costa aponta para a equipe de Daniel, mas diz que o processo seria simples.

Há ainda indícios de que o valor da propina foi calculado para corresponder a um conjunto específico de imóveis de alto padrão. Costa menciona ter feito contas para chegar ao montante acordado e cita o “Casa Lafer” como possível opção, chegando a falar em apagar algumas mensagens. Vorcaro corrige o nome para Casa Leopoldo, refere-se à cobertura visitada e compara com outra opção chamada Heritage, que considera melhor.

Costa reforça o interesse e menciona que novos imóveis das mesmas características também seriam incluídos. Em outra troca, ele afirma estar “no deal mode”, virando a noite para resolver pendências, enquanto Vorcaro se coloca como “resolvedor de problemas”.

O pagamento da propina não teria sido totalmente concluído. Sabendo da investigação em curso, Vorcaro orientou o advogado Daniel Monteiro — preso na mesma operação — a não registrar as escrituras dos imóveis. Monteiro operacionalizava o negócio e relatou a Vorcaro que Costa o procurou para dar andamento na estrutura de compra dos imóveis.

Nas mensagens com o advogado, Monteiro confirma que Costa pediu para prosseguir e pergunta se deve tocar o assunto. Vorcaro cobra agilidade, afirmando ter pedido foco nisso dias antes. Monteiro responde que vai solicitar os dados dos imóveis e preparar a documentação, incluindo a definição do diretor das sociedades que receberiam os bens e a transferência de recursos do fundo Astrato.

As conversas revelam proximidade entre os dois, com tratamento recíproco de “amigo” e discussões que misturam assuntos profissionais com detalhes pessoais sobre os imóveis destinados à família de Costa.

A Polícia Federal sustenta que esses diálogos configuram combinação de vantagem indevida para que Costa facilitasse operações entre o BRB e o Banco Master, inclusive com a aquisição de carteiras de crédito sem lastro adequado e sem observância das regras de governança.

A quarta fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados de prisão e busca em São Paulo e no Distrito Federal, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.



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