O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido por sorteio para relatar o terceiro inquérito instaurado pela Polícia Federal contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência no âmbito do governo, em linha com as duas apurações anteriores solicitadas na semana passada.
A defesa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a abertura dos procedimentos como um uso político-eleitoral da Polícia Federal. Na segunda-feira (3), os advogados se reuniram com representantes do Ministério da Justiça e do próprio STF para contestar as medidas e solicitar acesso aos autos. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou ainda não conhecer o objeto das investigações e pediu providências, alegando desgaste político e falta de transparência.
Outro defensor, Guilherme Suguimori, também relatou dificuldades para acessar os documentos e questionou a legalidade da condução das apurações em razão da publicidade seletiva.
Flávio Dino ocupou o cargo de ministro da Justiça no atual governo e foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no STF em 2023. Os dois primeiros inquéritos, autorizados pelo ministro André Mendonça, apuram suspeitas de tentativa de favorecimento a uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em temas relacionados à cannabis medicinal e a licitações da Dataprev.
Segundo fontes ouvidas sobre o caso, a nova solicitação da Polícia Federal poderia ter como efeito transferir a relatoria dessa investigação para outro ministro. Até o momento, não há confirmação oficial de que esse tenha sido o objetivo da Polícia Federal.
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