O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a suspensão da propaganda eleitoral digital da chapa de Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão. A medida também interrompe os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e impede a participação do candidato em debates de rádio, televisão, podcasts e outros meios.
Toffoli é o relator do pedido de registro da candidatura, protocolado em 7 de agosto. No documento inicial, a chapa informou um site e uma conta na rede X. Em 19 de agosto, Renan Santos e o vice, Aroldo Medina, protocolaram petição complementar com dezenas de perfis em redes sociais. O ministro apontou indícios de ilicitude e considerou a informação tardia uma possível omissão estratégica. Pelo despacho, perfis não declarados no prazo podem continuar sendo recomendados pelos algoritmos das plataformas, o que a legislação eleitoral busca impedir após o registro.
A Lei das Eleições exige que partidos e candidatos informem à Justiça Eleitoral, já no pedido de registro, os endereços de sites, blogs, redes sociais, aplicativos de mensagens e demais aplicações de internet usadas na campanha. Toffoli determinou ainda que as plataformas suspendam os perfis considerados irregulares e apresentem dados sobre postagens, impulsionamentos, anúncios, recomendações e alcance.
A decisão foi tomada no domingo (30) e divulgada nesta segunda-feira (31), depois que o ministro retirou de pauta o julgamento do registro, previsto para o plenário. O Missão pediu reconsideração e sustentou que o relator não poderia, de ofício, examinar no processo de registro supostas irregularidades de propaganda.
Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e presidente do Missão — partido aprovado pelo TSE em novembro de 2025 —, disse que a equipe enviou as informações no prazo, que não obteve vantagem financeira e que os apontamentos são “uma piada”. O candidato e o partido publicaram foto com a palavra “Censurado” sobre o rosto e alteraram as imagens de perfil nas redes.
Após a divulgação da medida, a hashtag #SomosTodosRenanSantos passou a ser usada em publicações no X e entrou nos assuntos mais citados da plataforma no Brasil. Renan Santos é coordenador do MBL, movimento criado em 2014, e disputa a eleição presidencial de 2026 sem ter ocupado cargo eletivo. O registro da candidatura permanece em análise no TSE.
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