Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou em proposta de delação que pagava R$ 3 milhões mensais em propina a um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA). O relato, segundo o UOL, aponta duas vias principais: R$ 2 milhões por contrato entre o Master e a PKL One, operadora do Credcesta — consignado a servidores baianos — que teria Augusto Lima e Wagner como sócios ocultos; e R$ 1 milhão em espécie a aliados do senador. Haveria ainda dividendos, lucros e contratos fictícios.
Vorcaro disse que o acerto começou em 2018, depois que o Master pagou R$ 30 milhões por participação na PKL One. A empresa passou a operar o Credcesta após a Ebal, estatal dona do consignado, ser arrematada em leilão pela NGV Empreendimentos — que o ex-banqueiro atribui a Augusto Lima — por R$ 15 milhões. A NGV transferiu a operação à PKL One.

Rui Costa (PT-BA), então governador e hoje senador e ex-chefe da Casa Civil, é citado cinco vezes no texto, sem explicação direta sobre a propina. Dezesseis dias após o leilão da Ebal, Costa assinou dois decretos que ampliaram a exploração do Credcesta e tornaram o negócio mais vantajoso.
A delação aponta Guilherme Henrique Sodré Martins, o Guiga, como operador de Wagner. Sodré tinha 22,45% de um fundo com participação indireta na PKL One até 31 de dezembro de 2018. Os R$ 1 milhão em espécie iriam para ele até a liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025. A partir de maio de 2019, essa fatia aparece em fundo da Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado pela PF como operador financeiro de Vorcaro. João Carlos Falbo Mansur, do fundo Reag, é citado como participante de operações fraudulentas para levantar dinheiro vivo usado como propina.
PF e Ministério Público recusaram o acordo. O MPF, segundo o UOL, entendeu que os relatos não vinham com corroboração suficiente. Defesas de Wagner e de Augusto Lima refutaram as acusações e disseram que a proposta não apresentou provas bastantes. Advogados de Vorcaro repudiaram a divulgação dos anexos e não reconhecem autenticidade e integridade do material. O documento, de acordo com o UOL, não esclarece qual ato concreto Wagner teria praticado em troca dos pagamentos, nem como teria interferido no leilão da empresa de Lima ou nas decisões do governo Costa.
A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025. O conteúdo do celular de Vorcaro só é conhecido em parte. Os aparelhos de Augusto Lima, sócio baiano do Master com relações com o PT estadual, foram apreendidos, sem divulgação do teor. O mesmo vale para Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso, cujos celulares também foram recolhidos.
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