O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e figura central nas apurações do maior caso de fraude bancária já identificado no país, compareceu às urnas na manhã deste domingo no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. A ida ocorreu mesmo com as restrições de liberdade impostas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que o mantém recolhido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — unidade conhecida como Papudinha.
No mesmo período, Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS e apontado como eixo das investigações sobre desvios bilionários de benefícios previdenciários, também exerceu o direito de voto. Os dois deixaram a Papudinha sob escolta e foram conduzidos ao Centro de Detenção Provisória, dentro do complexo da Papuda, onde uma urna eletrônica foi montada para atender cerca de 180 detentos.
Embora fique no mesmo perímetro geográfico da Papuda, a Papudinha não está sob a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal: a gestão cabe à Polícia Militar.
Vorcaro permanece nessa unidade desde junho. Ocupa a cela pela qual passou o ex-presidente Jair Bolsonaro. A situação jurídica dos dois, porém, não se confunde. O banqueiro responde em regime provisório, sem condenação definitiva. Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses no processo da trama golpista, cumpre prisão domiciliar e teve os direitos políticos suspensos, o que o impede de votar.
A cela destinada a Vorcaro mede 55 metros quadrados e reúne condições superiores às do restante do complexo: chuveiro com água quente, cozinha equipada para preparo e guarda de alimentos, geladeira, armários e cama de casal. O detento mantém rotina de leituras diárias e usa a academia interna em horário exclusivo, sem contato com os demais presos.
Os próprios internos apelidaram a Papudinha de “Tremembé de Brasília”, em alusão ao presídio paulista que abrigou condenados de grande repercussão, entre eles Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, os irmãos Cravinhos e Anna Carolina Jatobá.
Além de Vorcaro e Stefanutto, a unidade recebe o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, ambos condenados a 24 anos por articulação voltada a impedir a posse de Lula. Também está recolhido ali o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso no âmbito das investigações de corrupção e fraude bilionária ligadas ao Master. Costa, diferentemente dos outros dois, não solicitou autorização para votar.
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